segunda-feira, 22 de agosto de 2011
As palavras que não quero dizer
A noite estava calma, serena, uma baforada de ar quente soprava na direcção deles. Uma noite de verão perfeita para passear com ela, pensou ele. Lá estavam os dois, sentados no mesmo banco do dia anterior, na mesma posição como se aquilo se tivesse de voltar a repetir.
Olhava para ela como se já soubesse como iria tudo acabar. O rosto dela, estava fechado, as lágrimas insistiam em cair da cara dela, mas ele não teve coragem de as ir secar. Ultrapassava aquela situação toda. Ele já sabia que iria ser assim...As palavras não saiam como queria, não tinha coragem para dizer o que queria, nem se quer sabia se era mesmo o que queria. Era o melhor naquele momento e isso bastava para ele.
"Temos de ficar por aqui", as palavras saíram como se fossem pedra atiradas, as lágrimas que ela insistia em segurar começaram a correr. O rosto transfigurou-se na dor do momento, e ele sentiu-se impotente uma vez mais. Odiava isto, odiava a situação em que estava, odiava magoar a pessoa que se calhar mais o amava neste mundo, e mesmo assim disse as palavras que tinham de ser ditas.
"Porque?" Perguntou ela, "Não compreendo"...Ele também não compreendia. Não compreendia a sua mente, nem o seu coração já. O coração dizia para a abraçar e enternecer nos seus braços, a cabeça negava-se a fazê-lo, não queria vê-la chorar, não outra vez por causa dele. Que besta seria em magoa-la, em tirar-lhe o chão onde ele estava.
Não teve coragem para afirmar outra vez. As duvidas assaltavam-lhe a cabeça, o coração dizia para não a deixar partir, a cabeça dizia para a deixar ir embora. Tinha de ser ela a ir, ele não tinha coragem de lhe virar as costas e saber que a certeza das palavras eram aquelas.
E quando ela partiu, ele soube que o coração chorava por dentro....
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Hoje talvez já não sei

Não sei o que seguir, não encontro uma estrada, encontro vários caminhos tão iguais e tão profundos que tenho medo de enveredar por um deles. Hoje não sei, sinto-me perdida, sem bússola que me indique o norte, que me indique para onde.
Não tenho medo dos obstáculos, nem medo de experimentar os sentidos, tenho medo do caminho que os outros querem para mim. A solidão vai se abatendo em mim. Sinto que me destrói o espírito, o coração e toda a razão. Afinal não sou mais que um simples pedaço de papel ao vento à procura de um pedaço de caminho que não encontro em lado nenhum.
Procuro um sentido e só encontro muros, só encontro lágrimas. Só encontro solidão
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