terça-feira, 30 de novembro de 2010

Agora







"Agora a neve cai lá fora, a brisa do Outono apagou o dourado e veio cobrir de branco as minhas lembranças. Não existe mais o calor do dourado, nem o brilho do reflexo das folhas. Não existe mais o verde, nem a chuva que goteja depressa. Existe o branco que veio suavizar a minha dor que tapou as memórias e os lugares, que tornou tudo igual. Por isso gosto do Inverno, faz-me esquecer de ti um pouco, faz-me esquecer de recordar as memórias daquele Verão. 
O Inverno tem este efeito em mim, porque tu sabes e eu sei que a nossa história é o Verão, o Inverno não me traz nada além de alegria. Traz-me a certeza que consigo ultrapassar isto sempre. Mas quando chegar a primavera, e as cores voltarem, acordar de manha com o cantar do cuco, e ouvir ao longe as vacas no pasto eu saberei que a dor de teres me deixado nunca me vai deixar. Existirá sempre um verão para me recordar de ti"


Mailin

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vamos sonhar





"Hoje tentei tocar-te, sentir o teu peito junto ao meu. Abraçar-te como nunca e ter a certeza que existias para mim. Queria beijar-te novamente como um dia e dar-te a mão simplesmente por dar. Queria deitar-me contigo na erva do campo e sentir o sol a bater-me na cara e a tua respiração compassada. 
Queria seguir o ritmo do teu coração com o meu e olhar-te sempre que quase-se ver esse sorriso que um dia eu sei que foi meu. Queria falar contigo durante horas, sobre tudo, e atirar-te para cima de ti em quanto me fazias cócegas. Estar contigo simplesmente por estar. 
Não sentes saudades disso? Eu sinto"


Mailin

sábado, 27 de novembro de 2010

Esquecer





"Vamos esquecer isto tudo, vamos nos esquecer a nós pode ser? vamos fingir que nunca existimos e que nada é mais que uma simples ilusão.
Vamos sorrir como nunca sorrimos e vamos esconder a tristeza que vive no nosso peito. Vamos ganhar coragem e olhar-nos nos olhos e esquecer que um dia aconteceu. Vamos simplesmente seguir a nossa vida, cada uma para seu lado como se não nos tivéssemos cruzados nunca. E vamos seguir como uma seguimos as nossas vidas sem nunca olhar para trás"


Mailin

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quebrado





"E é assim, um começo sem fim e um fim se começo, um do outro um para o outro, estando juntos ou separados, unidos ou desunidos, somos assim. Mas desta vez doeu, partiu o coração em mil pedaçinhos, a alma em mil fragmentos. Foi mais forte que eu esta vontade de dizer: "Chega! Estou cansada." Preciso de ser mais do que uma pessoa que está deste lado, preciso de ser mais do que alguém que simplesmente aqui está. Preciso de carinho, de amor e atenção. Preciso de saber que estás aí, preciso que sejas meu como eu sempre fui tua. Preciso que venhas ter comigo, que faças algo por mim. Preciso que me digas que amas e me mostres que é verdade. 
Só queria ser para ti um pouco do que tu és para mim"


Mailin 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Vazio







"O vazio preencheu a alma, despertou incertezas e certezas, ocupou o espaço desocupado por ti e tornou realidade o que eu sempre neguei como ilusão. Estendi-te a mão, tentei tocar-te e não consegui, gritei pelo teu nome, chamei-te vezes sem conta e parece que nunca quiseste ouvir. Esgotas-te a minha voz, e fizeste-me recordar. Nunca acreditei que pudesses sentir tão sozinha novamente. E agora quando olho já não te vejo em lado nenhum. Passas-te de real a uma ilusão para começar a ver que faltas-te sempre a partir de um momento. Não estás lá, nunca estives-te e quando mais precisei de ti falhas-te sempre. Não te quero mais assim, prefiro viver sozinha e pronto, é mais fácil negar do que imaginar"


Mailin

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Acreditar





"Eu quis acreditar em ti e por isso tentei por tudo. Quis dar a alma e o coração a minha presença incondicional, quis dar a minha certeza. Mas quando passo a mão pela ferida nunca fechada, aberta por ti naqueles dias que fingias importar-te comigo, sinto que afinal não sou capaz de voltar atrás. Não sou capaz de estender-te a mão e dar tudo de mim novamente. Nunca te importas-te com o que provocas-te, achas-te que um simples "desculpa" chegaria para apagar a dor que me deixas-te no peito ainda dorido pela ferida. Pensas-te que o tempo me faria esquecer. Tu sabes que não faz. Tu sabes que existe sempre um se. Sabes que o tempo não cura, só faz atenuar. Nunca esquecer.
Aprendi sedo que quem diz que Perdoa mente. Pois o perdão é esquecer e ninguém consegue esquecer uma cicatriz"


Mailin

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Soltou-se





"Veio e trouxe um sabor de saudade, de alegria e tristeza. Um sentimento de doçura e de amargo. Apeteceu-me tocar, para sentir se seria tão verdade como realmente estava na minha frente. Tão palpável como deixava transparecer para mim. Tentei e tentei e não consegui tocar, estranho, formigueiro nos dedos como se não passa-se de óptico, de impressão de estranheza. 
Queria poder tocar outra vez só para sentir, para saber se era mesmo real. Até que acordei, e soube que era só mais um sonho"


Mailin

segunda-feira, 22 de novembro de 2010





Hoje sinto a brisa a tocar-me a cara e a trazer o pensamento de volta a mim, sinto a tristeza a invadir-me o meu peito e a deixar de novo o meu ser. Sinto a liberdade negada num olhar e o fantasma que me atormenta o peito, esse vem do passado para me fazer lembrar o que quero e preciso de esquecer.
Hoje sinto o teu toque nos meus lábios, cara, cabelos, mãos...Sinto o teu cheiro em cada movimento meu e vejo a tua sombra em cada esquina de cada prédio que cruzo. Sinto o sabor da crueldade impressa no ar e a humidade da incerteza presa em ti.
Hoje sinto que não sou mais capaz de viver sem ti

sábado, 13 de novembro de 2010

Capitulo II



O reencontro I

Quando cheguei a casa não cabia em mim de contente! Nem sabia para onde me havia de virar, só me apetecia sair daquele daquele táxi a correr em direcção e abraçá-lo, dar-lhe um abraço do tamanho do mundo inteiro. Então porque não ia? Algo me dizia para não o fazer, não sei se aquele olhar, se o facto de a minha avó já estar a fazer uma lista enorme do que tínhamos de fazer antes do jantar. Resignadamente lá saí do táxi e fui ajudar a tirar as malas. O meu irmão reclamou que eu devia trazer uma mala para um ano. Era verdade que estava pesada, e nem tinha trazido assim tanta roupa quanto isso. Fogo estava a ser injusto comigo.
Peguei na minha mala. Ok realmente estava assim um bocadinho pesada de mais para o meu gosto. Lá peguei nela e arrastei-a escada acima, entrei no meu quarto que estava escuridão. Abri as persianas. Luz finalmente. Apesar de tarde ainda havia claridade para abrir a janela. Estava um belo dia. Nem frio, estava. Depois de olhar à minha volta para ver se estava tudo em ordem, voltei pelo corredor que já tinha algumas malas trazidas pelo meu irmão e desci novamente as escadas. O táxi já tinha ido embora, mas em contra partida já se tinha juntado ali uma pequena multidão para nos ver. 
"Que altos que estão", "Já está uma mulher"...Frases tipicas...Depois de cumprimentar todos e responder aquelas perguntas da praxe, peguei noutra mala e levei-a para cima. 
Pousei-a no corredor pois não sabia onde mete-la e voltei ao quarto. Depois de passar a vista pelo quarto há procura do rádio voltei há sala. Lá estava ele em cima de uma dos divãs, dentro da sua caixa para não apanhar pó. Tirei-o cuidadosamente e levei-o para o meu quarto. Liguei-o há ficha e meti a minha cassete favorita bem alta. Em quanto as musicas iam passando eu ia arrumando a roupa nas gavetas e a colocar as calças nos cabides. Escolhi rapidamente algo para vestir pois a minha avó estava-me a chamar já. Umas calças de fato de treino velhas e uma t-shirt estava óptimo. 
Quando entrei na cozinha, já estava a minha avó a reclamar que o meu irmão já tinha desaparecido e que tinha imensa coisa para fazer. Lá acabei por lhe perguntar o que queria que eu fizesse. Em quanto olhava para mim disse "água, vai buscar água para fazer o jantar". Não que não tivéssemos água em casa, mas depois de estar um ano fechada aquela casa se precisava de apanhar ar as torneiras também e por isso a água sabia a ferrugem. 
Peguei em dois garrafões dos médios e lá desci as escada. Ouvi o meu irmão na garagem da casa a encher pareceu-me uma bola, pois ouvi-o a bater uma bola para ver se estava boa. Pensei logo que amanha sem falta iria treinar um pouco com ele. Não podia descuidar-me no futebol. Pelo caminho lá fui descendo. Olhei para a casa da minha bisavó, ela não tinha dado conta que nós tínhamos chegado. Já devia estar deitada há séculos. Em quanto seguia pelo caminho que ia dar a escola e passava pela ponte ia pensado. em tudo o que deixava em Lisboa. E que se pudesse voltava antes do que esperava. Bastava fazer um bocadinho de birra. Quando dei a volta que dava ao carreiro para a fonte velha vi-o. Estava de costas para mim um pouco mais em baixo. Já não precisava de esperar mais. Finalmente





segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A partida II

A partida II


Depois de colocar as malas novamente no porta bagagens da outra camioneta entrei para o primeiro andar. Era uma daquelas camionetas que tem aqueles lugares há frente colados ao vidro e alguns lugares em baixo. Como estava vazia e os lugares eram há nossa escolha eu fui para cima e sentei-me num desses com o meu irmão. Voltei a colocar os fones nos ouvidos e lá partimos passados 10 minutos rumo à nossa vilazinha. 
O segundo caminho desta vez foi mais atribulado. A camioneta parava em todas as terrinhas, tivemos uma avaria e tivemos de parar numa bomba de gasolina e esperar cerca de meia hora que fosse arranjada. Quando chegamos há vila já estava tarde e ainda por cima nem táxis havia para nos levar a aldeia. Depois de uma espera de cerca de meia hora lá apareceu um táxi para nos levar em direcção a casa. 
É verdade que fazia um ano que ali não voltava e depois de sair da camioneta deu-me aquela saudade. Apesar de tudo eu gostava imenso da terra, sentia-me livre lá, uma sensação boa. Verdade que quando estava na cidade não era assim tão bom, mas agora até me senti conformada por ter ido. 
Aquele cheiro familiar, a pinheiro, misturado com terra e ovelhas. O sabor que se podia sentir era uma mistura de passado com presente. Depois de entrar-mos no táxi pude ver pela pequena estrada, cheia de curvas e buracos aquilo que eu tanto conhecia. 
Pinheiros, imensos pinheiros, tão altos que mal se via a copa. Tão grossos que eram precisas duas pessoas para abraça-lo. As gestas tão altas que na primavera de cobriam de flores amarelas e brancas e sarapitavam o verde...onde eram campos e campos de flores assim. O cheiro no ar que deixava entre a ver uma réstia de nostalgia. Quando viramos a ultima curva antes de entrar na aldeia e vi a placa a chamar pela minha terra senti-me contente interiormente. O táxi acelerou estrada a baixo a caminho do meu mundo e eu estava satisfeita e cansada. Dava tudo para poder deitar-me de papo para o ar num calhau e ficar a sentir o ar a passar-me na cara. 
Até que passamos por ele, apesar da velocidade que íamos consegui ver um vislumbre do seu olhar, foi estranho, como um ressalto no peito. Uma pancada estranha. Aquele olhar, conhecia-o? Era impossível. Calculei que não devia se quer ser dali, conhecia toda a gente na aldeia e ele não era dali. 
Só ali havia um rapaz e esse era muito mais velho que eu, irmão de uma amiga minha. E aquele rapaz aparentava ter um uns 2 ou 3 anos mais velho que eu simplesmente. 
Segui-o-se uma conversa que eu fiquei atenta: A minha avó perguntou ao taxista quem era. E ele respondeu que era neto de uma senhora da aldeia, ele estava em França e tinha vindo há dois dias atrás. 
De repente lembrei-me, não podia ser? Seria ele? Tanto tempo que não o via, talvez 3 ou 4 anos. Não sei bem. Sei que sendo assim mal o tinha reconhecido. Que estranho. Afinal parece que o conhecia. Afinal aquelas férias iam valer a pena. Depois de tanto tempo sem nos vermos, finalmente recontro-mo-nos. Eu e o meu melhor amigo....

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

No norte

Capitulo I

A partida

Dei-lhe outra pancada, mas já vi que não ia funcionar mesmo. Não ia aguentar mais 2 horas de viagem até ao norte sem ar condicionada. Malditas camionetas velhas. 
Voltei a encostar a cabeça a vidro, o suor escorria-me pela testa, fechei os olhos por um momento para aproveitar um pouco da musica que tinha no walkman. Tinha pedido ao meu pai um discman nos anos mas ela não me tinha oferecido, então agora passava a vida a trocar de cassete de meia em meia hora. 
Recordava aquela manha que tinha ido à escola fazer a minha matricula, parecia tudo tão distante agora. Os meus colegas, o Sérgio, tudo. Queria passar estas férias com ele, afinal só namorávamos à cerca de 3 semanas. Mas não, o meu pai tinha de me mandar para o norte com o meu irmão e os meus avós. Será que ele não entendia que aquilo a mim já não me dizia nada? 
Tinha sido muito bom, anos antes. Adorava ir para lá, estar lá de férias, adorava ir guardar as vacas e as cabras com a Júlia e com a Paula, tirar o leite. Lá tinha uma liberdade como nunca tive na cidade. Mas o meu pai não percebia que com 14 anos eu queria estar com os meus amigos, ir à praia, estar com o meu namorado, que ele por acaso não sabia ainda. 
Mas estava enfiada numa camioneta a 3 horas a caminho do norte com o meu irmão ao meu lado a jogar tétris e com os meus avós atrás a perguntar-me de 15 em 15 minutos se não tinha fome, se não queria bolachas....Que ricas férias iam ser estas já estava mesmo adivinhar. 
De repente a cassete acabou, ouvi o estalido do fim, nem tinha reparado que estava na ultima musica tão embrenhada nos meus pensamentos e a pensar no belo beijo que eu e o Sérgio tínhamos trocado de manha antes do meu pai me ir buscar.
O Sérgio era o meu primeiro namorado. Não é normal eu sei, uma rapariga de 14 anos da cidade ainda não ter tido nenhum namorado. Eu sempre fui muito ligada aos rapazes, mas no sentido de andar com eles a jogar à bola ou a fazer macacada, nunca tinha olhado para eles com aqueles olhos de rapariga. Finalmente no ano anterior apaixonei-me pela primeira vez. Assim que o vi foi amor à primeira vista. Pena que com ele não tenha sido assim, ainda demoramos quase 2 anos para começar-mos a namorar, e agora que o tinha finalmente o meu pai separa-me dele. É verdade que que era só um mês. Também que diferença fazia?! Sempre tinha tempo de pensar se queria aprofundar os nossos beijos, afinal ainda só tínhamos dado uns beijinhos a fugir, nada como se vê nos filmes. Talvez quando viesse do norte estivesse  pronta para esse beijo que ele tanto queria e que eu tinha algum medo. Afinal era o meu primeiro beijo.

Quando chegamos a uma das paragens do camioneta o motorista mandou algum pessoal que seguia para as aldeias mais pequenas ir para outra camioneta que nos aguardava ali, porque ele ia seguir com aquela para outro lado. Depois de fazer a chamada das terrinhas para que seguia, lá me levantei contrariada e fui tirar as malas. Só me faltava mais esta, trocar ainda de camioneta. Desci da camioneta e fui tirar a minha mala, a do meu irmão que pesava toneladas, aquele devia trazer os bonecos todos dentro da mala de certeza, e a mala da minha avó. Lá nos encaminhamos para a outra camioneta do outro lado que estava já há nossa espera. 


Apresentação

Sou alguém que gosta de escrever, por isso decidi criar este espaço para publicar algumas coisas. A começar por histórias, capítulos. Resumidamente como se fosse um livro...Espero que gostem dos textos, se não gostarem também não faz mal. Não me chateio muito com isso.


Eu gosto de muitas coisas entre elas como disse é escrever, a outra é as coisas naturais, as paisagens, a natureza, o real, o verdadeiro. Gosto de apreciar no silêncio da noite quando estou no norte as estrelas, estar deitada a olhar para ao céu, sou capaz de estar assim durante imensas horas. 


Este titulo significa que esta casa foi importante para mim. Não nomearei nomes de pessoas (serão todos mudados), nem nomes de terras. Vou salvaguardar o mágico do meu lugar. Vou começar pelo primeiro texto espero que gostem


Ciau