terça-feira, 31 de maio de 2011
Não me ames ainda
Não me ames já, dá tempo para que o amor cresça como antes. Que floresça outra vez no meu peito aquela vontade que tenho de estar contigo. Deixa-me tirar do tempo o que o tempo tirou de mim. Vamos andar, sem correr. Não quero correr, correr cansa e andar é bom.
Não vamos ficar parados porque parar é morrer. Vamos andar...Mas devagar como se fossemos dar um passeio os dois e apreciar aqueles momentos juntos sem tempo que o tempo venha cobrar.
Vamos como se não tivéssemos pressa de nos amar. Vamos amar com tempo é disso que precisamos. É disso que estamos a precisar.
De tempo para nos amar-mos. Mas sem tempo para amar
quarta-feira, 25 de maio de 2011
No dia em que foste embora
Prometi que não iria chorar por ti, quando te visse afastar naquele carro, pela estrada que nos ia separar por tanto tempo. Prometi que não iria sofrer pela distancia e pelo tempo, e não foi isso que consegui cumprir. Prometi até que as saudades não me matariam a alma.
Mas e quando a alma já não existe, quando ela partiu contigo para longe, levada pelo som da distancia que emanava de ti. E quando ela sabia que te pertencia e que se pegou a ti sem querer largar mais essa união que se fez em tão pouco tempo.
Hoje recordo aquelas promessas, aquelas promessas que eu nunca consegui cumprir. As promessas que entre lágrimas te prometi. E mesmo antes de ires me disseste que eu era a tua vida, parte de ti, alma gémea de ti, eu soube que era eterno, e que nós éramos eternos onde fossemos.
Só queria que soubesses que essa eternidade ainda dura em mim, desde o dia que te prometi que não choraria por ti. E saberes que essa promessas nunca fui cumprida pois todos os dias ainda choro por ti. Como no primeiro dia que te prometi.
terça-feira, 24 de maio de 2011
A casa do norte
Capitulo II
O reencontro III
Quando a avó dele voltou a falar é que voltei a mim, ali estava ele ainda, e tudo como à 30 segundos atrás, só mudou a minha maneira de ver as coisas. Apesar de tudo não tinha pena dele. Eu nem gostava dele.
Depois de cumprimentar a avó dele desci pelo carreiro em direcção à fonte. Em quanto atravessava as ervas que quase me davam pelo joelho, ouvi as rãs que estavam a apanhar os últimos raios de sol a saltar para dentro de água. Nadavam rapidamente em direcção ao fundo do lago para se esconder. Abaixei-me junto à fonte e meti a mão na água, fresca como sempre, até arrepiava só de sentir. Em quando desenroscava a rolha e trauteando uma musica que ultimamente passava muito no rádio, e que eu ate gostava.
O sucesso daquele Verão não para de tocar, na rádio, na televisão. Fosse onde fosse toda a gente conhecia aquela musica e toda a gente a cantava. O "Morango do Nordeste" da recente banda Canta Bahia, estava a fazer furor entre as pessoas. Enchi a garrafa com rapidez e voltei a enroscar a rolha. Levantei-me e lá caminhei carreiro acima para voltar ao caminho da escola.
Era assim o caminho conhecido por levar à antiga Escola Primária que se encontrava prestes a fechar portas por falta de alunos.
A escola onde andará o meu pai e o meu tio e antes disso os meus avós, encontrava-se exactamente igual diziam eles. Não mudará nada, só a pintura exterior. As mesas e cadeiras ainda eram as mesmas, os desenhos na parede ainda eram os mesmo. Tão diferente da minha escola primária e ao mesmo tempo tão mágica e antiga, dava àquela escola o que eu gostava...Lembranças.
Voltei pelo caminho acima em direcção à lameira quando o vejo um pouco mais em cima a caminhar ao lado da avó, andavam devagar por causa do passo lento da senhora e conversavam. Agora de costas poderia olhar mais pormenorizadamente para ele. Estava alto era verdade, não me lembrava dele tão alto. Mas também estava magro. Se calhar tinha crescido depressa de mais pensei eu. Era comum na idade dos rapazes. O seu cabelo estava claro com o sol a bater-lhe na lateral.
Trazia uma t-shirt de cavas preta que lhe fazia sobressair os braços, uns braços que se notava bastante trabalhosos, ginásio talvez. Lembrava-me do irmão dele ter dito que andava num, se calhar ele também andaria.
Dei por mim fascinada, pois não me lembrava dele assim, ou se calhar nunca teria olhado para ele assim. A ultima vez que o tinha visto eu teria talvez uns 10 anos. E naquela altura eu preocupava-me mais com o os brinquedos e com os desenhos animados do que com rapazes. Quando entrava nestes pensamentos ele voltou-se para trás e viu-me a observá-lo. Desviei o olhar como se não tivesse reparado que ele estava ali a uma meia dúzia de metros à minha frente. Afrochei o passo para eles poderem avançar para não ter de me cruzar com ele. Quando já levavam um larga vantagem de mim, eu arranquei em direcção ao caminho que me levava a casa sem mais olhar para trás.
Ele ainda era o menor dos meus problemas
domingo, 22 de maio de 2011
O coração ainda bate
Transtornas-te o meu olhar, o meu coração, quando sorris-te daquela maneira que eu gosto. Quando me disses-te que eu era tua. O teu sentimento de posse foi grande de mais para mim, afinal eu sempre fui tua e serei sempre tua. Tal como tu serás sempre meu. Tal como o nosso sorriso será sempre um, mesmo que alguém o tente apagar.
E o coração bateu, bateu com força. Aquela saudade sufocou-me o coração e eu queria ceder. Mas o ceder era perigoso para mim, e eu sou mais forte que a minha vontade. Lutei, e lutarei sempre contra este magnetismo que nos aproxima.
Quando deitei a cabeça no teu colo foi como se tudo tivesse voltado. Eras tu e eu. E nada mais existia ali, nada tinha passado. Eramos tudo aquilo que estava ali. O centro....
E senti-me bem. Senti-me viva
terça-feira, 17 de maio de 2011
Aquele beijo
Sonhei contigo, tive te novamente nos meus braços, acaricie a tatuagem que tens no braço com os dedos como a desenhá-la novamente. Voltei a abraçar-te como tantas vezes o fiz. Desenhei no meu pensamento o contorno dos teus braços fortes como se todos os dias os pudesse tocar novamente, acariciar, sentir que são meus. Sentir que a eles eu pertenço.
Encaixei-me em ti como se precisa-se de um conforto, e senti-me tão bem naquele momento, como se nada nos pudesse voltar a separar. Nunca mais.
Com a força do meu coração disse-te que eras a minha vida. Tu sorris-te para mim, e pousas-te os teus lábios nos meus, no inicio leves. Como se não tivesses pressa naquilo que estavas a fazer, de repente esmagas-te contra os meus, com uma urgência que me fez tremer por dentro. Um tornado de prazer e de vontade de estar contigo. E eu sabia que aquilo tudo, éramos nós. Num só
domingo, 15 de maio de 2011
O que sou para ti?
Segura outra vez na minha cara e diz que me amas como tantas vezes o fizes-te, diz-me que eu sou tudo para ti como tu sempre foste tudo para mim. Não te negarei nada, não te esconderei mais este olhar que tanto te procura entre a multidão com medo da tua sombra e com ânsia da tua presença.
Vem até mim, sem medo, avança lentamente não tenhas pressa, eu sei que agora temos todo o tempo do mundo para nós. Sempre fomos nós, nunca existiu separação, nunca soubemos viver sem esta doce palavrinha que nos torna num único ser em dois corpos.
Alma minha, parte de mim, és tudo aquilo que me falta quando eu acho que tenho tão pouco em mim, és aquela peça gigante que me completa quando eu me sinto incompleta. És a minha alma no vazio que chama por mim, sem precisar de chamar.
E eu? o que sou eu para ti...É dessa parte que eu tenho mais medo. De saber que para ti eu sou só mais alguém perdida num mar de muitos alguéns. É isso que quero saber, e isso que tu me negas a dizer. É só isso...
O que sou eu para ti?
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Eu quero voltar a sonhar
Quero viver de certezas, quero acordar todos os dias a sorrir, como quando sonhava contigo. Preciso de saber que algo de bom ainda existe em mim. Sinto-me a morrer aos poucos por não estares perto. Por teres partido. Apetecia-me gritar a falta que tu sentes. Apetecia-me estar contigo, falar contigo.
Só, solidão, em cada passo que dou. Sinto-me rodeada de ninguém. Sinto-me num mundo exausto de mim. Preciso do tempo que passou, preciso de tudo o que perdi. Tantas vezes olho pra trás e penso "perder para depois ganhar". Agora vejo que nada ganhei.
Preciso de algo que me motive, de algo que puxe por mim, que me abrace, me diga simplesmente que está tudo bem. Que me faça sorrir todos os dias. Que me faça acreditar em mim. Que me faça sonhar mais uma vez. E é nisso que me tenho perdido...a procurar
segunda-feira, 9 de maio de 2011
O reencontro II
Capitulo II
O reencontro II
Contive a respiração, nem queria acreditar, depois de tanto tempo. Lentamente ele virou-se, tão lentamente como se o relógio tivesse parado de andar. Como se cada tic tac do ponteiro dos segundos demora-se horas a ouvir. O meu coração acelerava a cada movimento dele. Fiz o melhor sorriso nos lábios para finalmente lhe puder "saltar" para o colo.
Mas o movimento dele não foi mais do que um desviar ligeiro, ele continuava quase de costas. Esmoreci o sorriso e pensei chamá-lo. Não seria má ideia. Afinal ele não adivinharia que eu ali estava, de repente ouço algo a mexer-se na lateral. Pelo canto do olho vislumbrei uma forma escura a levantar-se e desviei rapidamente os olhos para aquele movimento. Nessa pequena fracção de segundos o meu efeito surpresa apagou-se "Boa tarde menina, está boa?! Como estão os seus pais"!
Boa a avó dele, sempre simpática e querida a senhora, mas muito faladora. Quando voltei o olhar para o lugar onde estaria ele, já se tinha deslocado para mais perto da avó. Franzi o sobre-olho não era ele. Era o irmão. O chato do irmão dele. Com o seu andar esguio e meio atrapalhado aproximou-se da avó e segurou-lhe o balde preto. Parecia pesado, pensei eu. Sorri para ele, mas ele não me retribui o sorriso, só o olhar.
Bem se calhar não sabia sorrir, anormal do miúdo.
Quando era mais novo já o detestava, apesar de ser mais velho que eu dois anos, sempre foi aquele típico menino dos papás. Em quanto eu e o irmão dele o Manuel fomos "criados" entre vacas e cabras, a subir aos pinheiros, tomar banho no ribeiro e a comer amoras até quase rebentar, a tirar leite às vacas, a correr pelo lameiro a fugir do chibo que nos queria marrar. O irmãozinho mais novo o queridinho Zé, menino da cidade, criado entre árvores de betão, habituado a subir a elas por elevador, entre mimos e brinquedos caros.
Ele puxava-me os cabelos, fazia birra porque queria ir connosco guardar as cabras e depois chorava com medo quando uma se aproximava dele. Sempre o vi como uma versão mimada do irmão.
Se um era a brisa campestre, o por do sol de verão, o canto da popa nas manhas de primavera, o outro era as tempestades de birras, o ladrar dos cães atrás do osso, o fogo que ardia no verão a destruir o nosso mundo.
E ali estava ele, à minha frente, como se nunca se tivesse passado aqueles anos por nós, como se o detesta-se tanto como o tinha detestado um dia. Os seus lábios serrados mostravam esse mesmo sentimento, reciproco. Mas o olhar mostrava surpresa, talvez até uma pontada de alivio. Desviei o olhar dele, para poder cumprimentar a avó dele. Entre perguntas como estava o pai, a mãe o irmão, a avó, o cão, o gato. Lá me falava que a filha tinha-lhe mandado aquele para estar com ela aquele mês. Para ver se ganhava um pouco de juízo. Mas que o seu Manuel, o seu querido Manuel, criado por ela até aos 8 anos de idade esse tinha ficado na cidade a estudar, tinha de ser, estava a tirar a carta disse-me ela. Estava um homem....
Nesse momento as palavras dela moeram o meu coração por dentro, as saudades devoravam-me as palavras que eu queria dizer a ele. E quando olhei para o Zé, senti uma pena dele, pena do que ele estaria a sentir por a avó dizer aquilo dele, e vi um pouco naquele olhar do meu melhor amigo.
Talvez tenham só passado minutos naquele vaivém de emoções, para mim já pareciam dias. Era muitos sentimentos para tão pouco tempo.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Um vazio sem fim
Sinto-me morta! E agora? Sinto-me a transandar em podridão e bolor. Sinto-me como me morta, sem nada por dentro.
Oca como uma bola de ping-pong, vazia como um frasco cheio de nada. Sinto-me só, enterrada. Sem sentimentos alguns.
Preciso de voltar a viver e acho que já não consigo. Tudo aquilo que tinha foi-se. Não quero mais nada. Não preciso de mais nada. Talvez a vida, ou talvez um simples carta me tenha mostrado o quanto errada e parva eu era. O quando eu precisaria de agora avançar e mudar o meu sentimento.
Ele mudou, de uma hora para a outra mudou tudo.
E eu tenho de aceitar que ele mudou. Tenho de aceitar que agora os sentimentos deixaram de existir, que a vida deixou de existir. Ou simplesmente uma vida que eu julguei um dia ter. A minha vida segue. E o que ficou lá atrás....
O que ficou lá atrás...É para esquecer!!!
Chega de chorar, de tudo. Chega....Ninguém merece isso. Ninguém
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Hoje pode ser tarde de mais
Pode ser tarde de mais agora, quando te vejo com outra, de mão dada na avenida, como se na vida nada mais te importa-se. Vejo as vossas fotos naquele vosso mundo ilusório, cor de rosa. Um mundo ao qual um dia eu pertenci, e agora vejo pintado de preto e branco.
E em quanto passam de mão dada, não me vêem na esplanada esquecida, sozinha, à espera de um significado para tudo aquilo que um dia tive e deixei fugir.
O tempo urge nas minhas mãos, nega muitas vontades e muitas lutas. Sente-se completo ali sentado à espera de nada.
O vosso sorriso é sincero e é disso que tenho medo, de nunca vir a ter um assim pra mim, um sorriso de amor, de carinho e de alguma coisa mais que tudo aquilo que eu deixei de acreditar um dia.
Amar é tão lindo amar, é tão grande, tão perfeito. Mas não é p'ra mim à muito que percebi que não é p'ra mim. Amar é para aqueles que não se preocupam com nada, para os que ainda procuram o brilho nos olhos. Para aqueles que são felizes todos os dias. Eu já não sei ser feliz, já não sei sorrir.
Eu perdi a esperança de amar, eu perdi a esperança de acreditar no amor.
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