segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O poder das palavras






Aquela palavra, basta uma por vezes uma particularidade na frase, uma palavra que nem lá devia estar, que estraga todo um dia, toda uma semana, uma relação se for preciso. Um tom mal intencionado dito sem querer na penumbra do vazio. 
Dói, se dói, destrói o coração, a alma até a esperança de tudo o resto. Destrói os sonhos num segundo, levando ao buraco mais fundo da alma, levando à destruição daquela breve alegria. 
As palavras mudam tudo, mudam o rumo, mudam o mundo, são capazes de parar o mundo por minutos, destruir a vida de alguém, ou fazer alguém tão feliz que nem cabe em si.
As palavras ainda tem essa capacidade, e sempre vão ter. De destruir, de renascer, de acreditar e de doer.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A solidão escondida





Senti que o mundo não me pertencia, só queria aquele cantinho familiar como eu sempre o tive, aquele lugar que me protegia nas horas de maior dor, aquele conforto fofo que me era dado quando eu precisava de um "mimo" sem pedir. 
E sozinha, num mundo que não era meu, senti a solidão a matar-me o peito. Senti o tempo a desfazer-me em mil pedaços. Só queria fugir dali, tantos meses a desenhar, para não pensar em outra coisa se não ir embora. Pergunto o que é feito de mim, o que restou do sorriso...Parece que nada é meu, nem pareceu eu mais. Pareço um pedaço de madeira que deriva à procura de um rumo novo. 
Sinto-me desfeita, sinto como se tudo estivesse contra a mim. Os sorrisos dele encaram a realidade como se eu nem se quer lá tivesse, e não passe de um pouco de cotão que veio agarrado ao sapato por distracção. Só me apetece morrer, parece um dor tão atenuante do que sinto aqui, parece algo que seja mesmo fim de tudo, pelo menos deste buraco, desta dor, deste pedaço de mim que ainda vive estupidamente a olhar para o mundo que queria conquistar. 
Hoje ainda sinto essa dor a latejar, como se o tempo nunca curasse, nem atenuasse. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Era só mais um dia


As lágrimas ainda corriam como tanta vez aconteceu, ela já sentia isso tão naturalmente como se fizesse parte dela, as lágrimas, a dor, o buraco no peito. Tudo isso era dela pertencia ao mundo novo dela. Um mundo novo onde cada dia seria uma sobrevivência à vida que ela temia. Não esperava nada, apenas mais um dia, até sucumbir aquela dor que lhe despedaçava o peito em mil fragmentos. A noite traduzia essa dor na sua pureza, manifestando nela a certeza que o que iria fazer a seguir seria o melhor para ela. Pegou neles como se não os consegui-se conter mais não. Teria coragem? Não sabia ainda, mas teria de ter. Colocou-os na boca um a um como se isso retarda-se o efeito, o momento, ninguém estava ali para ver. A casa estava quase vazia, ouvia-se uma respiração lenta ao fundo, mas nada que não se consegui-se aniquilar naquele momento. Talvez de manha dessem conta, ou daqui a umas horas. E fosse muito tarde, o suficiente para tudo acabar de vez.
Engoli-os, esperava que fizesse um efeito rápido, um efeito devastador em si que a fizesse esquecer a dor.
Aos poucos, uns minutos, talvez uma meia hora, a dor, o mal estar, a tontura e tudo se apagou, e ela soube que seria o fim de vez, que aquela dor não voltaria mais a acontecer, que a dor no peito ia desaparecer para sempre. 
Era o fim de tudo