quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
O tempo
Passa cada segundo como se fossem anos, e cada segundo cobre o tempo para apagar e arrastar as lembranças. O tempo esgota-se, acaba-se...morre um dia. O que existe isso não morre, fica em nós, como se nunca se tivesse apagado. Hoje mais uma vez choro por ti, choro por não saber, choro por não poder fazer mais do que fiz, choro porque dei tudo sem ter nada em troca.
As lágrimas secaram com o tempo, tempo esse que se vai arrastando minuto após minuto a torturar a minha alma. As feridas vão virar cicatrizes, marcas fundas, sem jeito, que nunca se apagaram, que ficaram cá para sempre a lembrar o tempo e o espaço.
E o que faço com elas? aprendo? revivo? não esqueço cada marca, cada ponto que me doeu a construir a cicatriz em si.
Hoje tenho tempo, amanha não sei, mas hoje eu sei que o teu tempo não é, nem nunca foi destinado a mim. O tempo tempo é para ti só. E hoje o meu tempo acabou por se perder num nevoeiro intenso que cobre a madrugada.
Não quero e tenho medo de perder mais tempo. Tenho medo de perder um pouco do tempo que ainda tenho. Hoje o tempo ensinou-me que tudo acaba, até ele.
Por vezes eu lembro-me
Lembro-me de tudo, se nada se tivesse apagado, tão real e tão perto de mim. Sinto tudo aquilo outra vez e as lágrimas voltam, volta a raiva, e os pesadelos. Não queria mas é assim, todos os dias a todas as horas imagens assaltam-me o coração e vem desestabilizar aquilo que tento recompor em mim. Aquilo que tento não perder todos os dias.
Sinto que falta confiança em mim. Faltam sonhos e esperanças de algo que já perdi à tanto tempo. Falta acima de tudo paciência para tudo o que está à minha volta.
Não consigo acreditar, nem se quer fazer um esforço por isso tenho vontade. Choro porque muitas vezes é disso que preciso. De algo que me faça sentir que ainda existo. Afinal às vezes acho que não sou importante para ninguém. >Será que sou?
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
O pior pesadelo
Quando olho para trás vejo que poderia ter sido perfeito, poderia guardar grandes memórias, algo que quisesse repetir. Ambicionei durante dias, meses... Ambicionei e criei expectativas que só me mostraram vãs. Troquei os sonhos pelos pesadelos, os sorrisos pelas lágrimas, a alegria pela melancolia, a vontade pela fraqueza. Tudo o que eu havia sonhado, ambicionado, questionado, pensado...tudo desfeito em pó, tudo destruído canalizado numa dor tão funda como um prego no coração. Um prego enferrujado que espalhava a infecção por todos os poros.
O que ambicionei tornou-se no que eu nem sonhava que poderia existir. O que eu queria não se tornou mais que um tormento de desaparecer para sempre.
Tanto me questionei porque?! Tentei entender e não consegui, seguir e fingir que sorria. Não conseguia algo se tinha cravado no meu ser. Algo que me destruía, me fazia de mim um zero, um buraco, um pano roto.
E eu perguntava porque....porque e porque...
E a resposta estava ali tão à minha frente como se não houvesse outro caminho. Eu já não era nada, era um fantasma que deambulava perdida pelos confins de um deserto de gente que não me era nada.
Tantas vezes me vi tentada, ali tão perto a simplesmente me deixar ir...para poder acabar com tudo. Para poder ter "paz".
Ainda me pergunto porque não o fiz. Não sei....Mas cada vez a vontade se torna mais evidente, mais pulsante, mais desejada. Como se já não precisa-se de mais nada.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Dei o melhor de mim
Não me queres? Diz logo que não me queres, não brinques assim comigo, com a minha vida e com o amor que sinto por ti. Diz e pronto e logo verei que rumo dar à minha vida. Não me bajules com falsas promessas, nem com sinceridades mentirosas. Não me enganes o coração com o olhar quando o pensamento me engana a alma.
Dei o melhor, dei tudo, dei até o que eu achava impossível dar, dei tudo de mim, fiz mais por ti que por mim. Não cobro isso, dei porque quis, fui porque amava. Não te cobro! Mas cobro as lágrimas, cada lágrima, cada magoa, cada mentira. Cobro tudo....Porque tudo o que eu te pedia tu nunca me soubeste dar. E agora que me perdes-te pensas onde erras-te.
Sinto um cansaço na pele, uma extrema frieza que se apoderou de mim. Não voltarei a amar ninguém. Nem a dar de mim mais do que o permitido. Não quero ser um farrapo inútil para ninguém, nem um estorvo, nem uma opção por falta de outras.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Como um boneco
O tempo parou, era como se fosse um boneco nas mãos dele, uma marioneta prensada para obedecer cegamente a algo que só brincava comigo às vezes. Até que ponto eu estaria presa a ele, até que ponto eu permitia que ele me fizesse sofrer assim como estava a fazer. Eu precisava dele, mas ele estava a destruir o que eu era, a manipular-me para seu uso, e depois a meter-me na prateleira como um boneco, uma coisa reles e partida que não prestava para mais nada. Era esse o sentimento, uma coisa reles, uma coisa que não valia a pena.
As lágrimas correm tanta pela vez pela noite acompanhadas de imagens traduzidas em pesadelos, os suores, os gritos, a dor, tão forte, intensa, queimava o peito. O pesadelo que parecia real, parecia ali mesmo ao meu lado, à minha frente. Parecia uma aviso, um teste, uma maneira de dizer: "Nunca vai mudar"....Porque?
Quer deixar de ser um boneco, que ter pesadelos, de pensar sempre no mesmo, de acreditar que não valho nada. Porque é assim que me sinto....
Que não valho nada.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Podia tocar-te
Tu estavas ali, estavas eu sei, eras tão real, eu podia tocar-te com as pontas dos dedos, podia sentir o aroma que deflagrava de ti e vinha na minha direcção. O teu perfume estava tão perto de mim, o teu sorriso, o teu olhar. Eu senti-me bem, senti-me em paz comigo só por saber que ali estavas ao meu lado.
Quis tocar-te sentir que era real, saber que não era mais que um produto da minha imaginação fértil. Estendi o braço na tua direcção e não senti mais que o vazio, que o medo, que a tristeza do pensamento em me pregar mais uma partida. Mais uma terrível partida.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Porque?

A noite seguia sem sentido o que se passava, tentaria ignorar os passos, os aromas, e tudo o que centralizava à minha volta. Ignorava o crescente desassossego que me corria a alma sempre que de vislumbre via o que acontecia. Queria ignorar, acreditar e continuar a seguir, sem pensar. Mas algo em mim me doía, no fundo do peito doía, não era normal, nunca seria normal. Lutava contra impulsos, contra sentimentos, contra tudo o que eu pensava que não queria. Sentia o coração a fraquejar, o pensamento a fervilhar por uma explicação lógica, uma explicação que fizesse sentido para mim, uma explicação que consegui-se atenuar tudo.
Não seria normal pensei, não seria normal em nenhum momento. Em nenhum lugar para mim seria normal. Seria só normal se consegui-se fugir dali, daquele lugar fechado onde tudo se manifestava e rodava à minha volta como uma roda gigante que andava rápido de mais para o meu estômago. Contrai-se em cada agonia que me queria precipitar. Teria de ignorar, fingir, não ligar simplesmente. Conseguia? Pensava que sim...
A pergunta sempre foi...Porque?
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
O poder das palavras
Aquela palavra, basta uma por vezes uma particularidade na frase, uma palavra que nem lá devia estar, que estraga todo um dia, toda uma semana, uma relação se for preciso. Um tom mal intencionado dito sem querer na penumbra do vazio.
Dói, se dói, destrói o coração, a alma até a esperança de tudo o resto. Destrói os sonhos num segundo, levando ao buraco mais fundo da alma, levando à destruição daquela breve alegria.
As palavras mudam tudo, mudam o rumo, mudam o mundo, são capazes de parar o mundo por minutos, destruir a vida de alguém, ou fazer alguém tão feliz que nem cabe em si.
As palavras ainda tem essa capacidade, e sempre vão ter. De destruir, de renascer, de acreditar e de doer.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A solidão escondida
Senti que o mundo não me pertencia, só queria aquele cantinho familiar como eu sempre o tive, aquele lugar que me protegia nas horas de maior dor, aquele conforto fofo que me era dado quando eu precisava de um "mimo" sem pedir.
E sozinha, num mundo que não era meu, senti a solidão a matar-me o peito. Senti o tempo a desfazer-me em mil pedaços. Só queria fugir dali, tantos meses a desenhar, para não pensar em outra coisa se não ir embora. Pergunto o que é feito de mim, o que restou do sorriso...Parece que nada é meu, nem pareceu eu mais. Pareço um pedaço de madeira que deriva à procura de um rumo novo.
Sinto-me desfeita, sinto como se tudo estivesse contra a mim. Os sorrisos dele encaram a realidade como se eu nem se quer lá tivesse, e não passe de um pouco de cotão que veio agarrado ao sapato por distracção. Só me apetece morrer, parece um dor tão atenuante do que sinto aqui, parece algo que seja mesmo fim de tudo, pelo menos deste buraco, desta dor, deste pedaço de mim que ainda vive estupidamente a olhar para o mundo que queria conquistar.
Hoje ainda sinto essa dor a latejar, como se o tempo nunca curasse, nem atenuasse.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Era só mais um dia
As lágrimas ainda corriam como tanta vez aconteceu, ela já sentia isso tão naturalmente como se fizesse parte dela, as lágrimas, a dor, o buraco no peito. Tudo isso era dela pertencia ao mundo novo dela. Um mundo novo onde cada dia seria uma sobrevivência à vida que ela temia. Não esperava nada, apenas mais um dia, até sucumbir aquela dor que lhe despedaçava o peito em mil fragmentos. A noite traduzia essa dor na sua pureza, manifestando nela a certeza que o que iria fazer a seguir seria o melhor para ela. Pegou neles como se não os consegui-se conter mais não. Teria coragem? Não sabia ainda, mas teria de ter. Colocou-os na boca um a um como se isso retarda-se o efeito, o momento, ninguém estava ali para ver. A casa estava quase vazia, ouvia-se uma respiração lenta ao fundo, mas nada que não se consegui-se aniquilar naquele momento. Talvez de manha dessem conta, ou daqui a umas horas. E fosse muito tarde, o suficiente para tudo acabar de vez.
Engoli-os, esperava que fizesse um efeito rápido, um efeito devastador em si que a fizesse esquecer a dor.
Aos poucos, uns minutos, talvez uma meia hora, a dor, o mal estar, a tontura e tudo se apagou, e ela soube que seria o fim de vez, que aquela dor não voltaria mais a acontecer, que a dor no peito ia desaparecer para sempre.
Era o fim de tudo
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
As palavras que não quero dizer
A noite estava calma, serena, uma baforada de ar quente soprava na direcção deles. Uma noite de verão perfeita para passear com ela, pensou ele. Lá estavam os dois, sentados no mesmo banco do dia anterior, na mesma posição como se aquilo se tivesse de voltar a repetir.
Olhava para ela como se já soubesse como iria tudo acabar. O rosto dela, estava fechado, as lágrimas insistiam em cair da cara dela, mas ele não teve coragem de as ir secar. Ultrapassava aquela situação toda. Ele já sabia que iria ser assim...As palavras não saiam como queria, não tinha coragem para dizer o que queria, nem se quer sabia se era mesmo o que queria. Era o melhor naquele momento e isso bastava para ele.
"Temos de ficar por aqui", as palavras saíram como se fossem pedra atiradas, as lágrimas que ela insistia em segurar começaram a correr. O rosto transfigurou-se na dor do momento, e ele sentiu-se impotente uma vez mais. Odiava isto, odiava a situação em que estava, odiava magoar a pessoa que se calhar mais o amava neste mundo, e mesmo assim disse as palavras que tinham de ser ditas.
"Porque?" Perguntou ela, "Não compreendo"...Ele também não compreendia. Não compreendia a sua mente, nem o seu coração já. O coração dizia para a abraçar e enternecer nos seus braços, a cabeça negava-se a fazê-lo, não queria vê-la chorar, não outra vez por causa dele. Que besta seria em magoa-la, em tirar-lhe o chão onde ele estava.
Não teve coragem para afirmar outra vez. As duvidas assaltavam-lhe a cabeça, o coração dizia para não a deixar partir, a cabeça dizia para a deixar ir embora. Tinha de ser ela a ir, ele não tinha coragem de lhe virar as costas e saber que a certeza das palavras eram aquelas.
E quando ela partiu, ele soube que o coração chorava por dentro....
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Hoje talvez já não sei

Não sei o que seguir, não encontro uma estrada, encontro vários caminhos tão iguais e tão profundos que tenho medo de enveredar por um deles. Hoje não sei, sinto-me perdida, sem bússola que me indique o norte, que me indique para onde.
Não tenho medo dos obstáculos, nem medo de experimentar os sentidos, tenho medo do caminho que os outros querem para mim. A solidão vai se abatendo em mim. Sinto que me destrói o espírito, o coração e toda a razão. Afinal não sou mais que um simples pedaço de papel ao vento à procura de um pedaço de caminho que não encontro em lado nenhum.
Procuro um sentido e só encontro muros, só encontro lágrimas. Só encontro solidão
sábado, 23 de julho de 2011
Guardar cada momento
Não me vou esquecer de nada, não vou esquecer cada momento, cada minuto, cada segundo que passamos juntos. Vou guardar nas memórias do meu coração, junto daquelas lembranças que eu acho preciosas. Vou guardar cada pedrinha, cada sentimento, cada olhar e cada sorriso, para que quando me sentir fraca saiba onde ir buscar aquela força que eu preciso.
Não te vou atirar para os confins da minha memória, nem vou apagar os sentimentos tão bons que tivemos. Não vou destruir o nosso álbum de memórias que construímos juntos.
Vou guardar tudo tão preciosamente como guardo a minha vida. Vou ter esses momentos em mim todos os dias, para saberes que eu nunca me esqueço de ti.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Recordações
Elas vão povoando a mente, ocupando cada milímetro de espaço que exista em mim, alargam o presente para trazer o passado a mim. Trazem para mim nada além dos sentimentos, além dos sonhos, além das esperanças. Não tenho medo delas, deixo-as entrar e povoar a minha solidão, embriagar o meu estado de lucidez e fazer-me sorrir nas horas de tristeza.
Tenho medo, tenho tanto medo delas, e ao mesmo tempo sinto-me bem com elas. Sinto-me ligada a um mundo que nem parecia meu, que nem me pertencia. E desse mundo chamo o seu nome, e reclamo no fundo da minha alma que volte para ao pé de mim. Trago os sorrisos esquecidos do passado, e uma caixa cheia de más esperanças de um futuro risonho. Mas as recordações, essas são tão vividas em mim, tão presentes, tão dispostas no meu pequeno coração.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Os teus olhos castanhos
Quando me olhas assim, daquele jeito especial que eu gosto, daquela maneira terna que só o teu olhar sabe ter, eu sinto que tudo sou capaz, que me derretes com esse teu olhar de menino maroto, reguila.
Esse olhar que tanto já me deu, que tanto foi meu, hoje vejo e sei que me quer pertencer, mas foge de mim, foge do meu mundo. Esse olhar que me davas, que era só meu, para mim.
Não vejo o teu olhar, mas sinto em mim tanta vez, como se tudo não passa-se de uma mera partida do destino.
E esse olhar eu quero te-lo de volta. Quero que ele volte para mim outra vez.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A tua falta
Dia para dia, a dor não atenua, não muda, não altera, vai matando, devorando, arranco do peito pedaços de mim. Só te queria ter aqui. Vejo a solidão à minha frente e toco-a com os dedos, já não tenho medo, já não tenho receio, nem tenho mesmo nada com que enfrentá-la, baixei os braços para me deixar levar por ela.
A tua falta, como é amarga esta tua falta que tanto mal me faz, que tanto me deixa a garganta amarga e o peito dormente. Afinal tu eras tudo, eras muito, eras o oposto da solidão. E agora a solidão ficou no teu lugar. A falta que tu me fazes quando choro, quando entre sorrisos tu eras o único que via as minhas lágrimas, eras o único que entendia os meus sorrisos, o único que estendia um pouco daquilo que eu gosto.
Não por ti, nem por mim, é mais por nós que eu morro. Às vezes penso em ir para ao pé de ti, para apagar esta solidão. Mas sei que tu nunca me perdoarias.
M*
terça-feira, 28 de junho de 2011
Luz negra
Quanto basta acreditar que sempre assim foi? Talvez o tempo tenho tirado o véu da frente e começado a tropeçar em pequenos objectos que sempre ignorámos à partida. Que achamos ridículos por se mostrarem tão pequenos que nem mal a uma formiga faziam. São eles mesmo que como espinho se vêem enterrar na carne, e provocar as dores, e quando damos conta, aquilo que tão pequenino e insignificante parecia afinal causou uma ferida grande e dorida.
É nisso que agora vejo o sangue que me sai em golfadas de fingimento e de sorrisos para tentar mostrar outra vez o que sempre fui. Uma pedra...um pedra dura que não corrompe o silêncio que se instala no coração. Uma folha ao vento que voa sem pousar...com medo do vento, do mundo. Com medo de se magoar com a brisa que vem abrir o meu peito com lágrimas.
E é nisto que me volto a tornar, num muro, uma pedra, um castelo de muralhas tão grandes que ninguém entra.
A luz afinal sempre aparece...Negra
segunda-feira, 27 de junho de 2011
A vida num segundo
Bastam momentos, basta meros milésimos de segundo que o tempo não deixa registado para tudo mudar. Para tudo aquilo que damos por certo se tornar tão incerto, tão fundo como um abismo. Tudo gira à volta disto, criando uma dor no peito que me põe naquele lugar, outra vez, como se soubesse exactamente os sentimentos que ali proliferam. Não choro, essas lágrimas guardo-as para ti, mas sinto o coração doente, sinto o peito a dizer: "tu sabes", "tu ainda sentes isso tudo"...apetecia-me afogar outra vez nas lágrimas que tantas vezes deixei correr. E em quanto as noticias de ti correm o mundo, mas minhas correm a pequena estrada tortuosa que leva ao coração.
"Onde estás?"....É a pergunta que todos fazem, eu sei a resposta. Estás no meu coração, na minha mente. E em quanto as imagens vivem no ecrã a deixar trespassar a dor de uma família. eu escondo a dor para mim já tão familiar. Como tudo pode ser roubado num segundo.
M*
domingo, 26 de junho de 2011
Em nome do passado
Em nome do passado
Prólogo
É isso que o meu passado é, um livro escrito a tinta permanente, para não me fazer esquecer nada, nem os pormenores mais estúpidos que possam existir. São passados a tinta, escritos no coração para nunca mais saírem. Afinal o que sou eu devo ao meu passado, tanto ao bom ou ao mau passado que tive.
Não gosto de ver o tempo a passar, faz-me lembrar o quanto velha estou a ficar e em tudo aquilo que ainda me falta viver, afinal parece que o passado não perdoa o que se perdeu. O grande amor surge uma vez na vida. Uns tem sorte de ficar com ele para sempre, outros, a grande maioria perde-o, ficando a lamentar durante o resto da vida a sua falta, jurando não haver amor maior.
Eu pertenço ao segundo grupo, aquele que amou, amou tão a sério que hoje não quer mais amar, vive à espera de um final tipo livro, à espera que ele um dia volte como se nunca tivesse passado este tempo todo. Outros amores vão surgindo, durante a vida, uns quase parecidos com o primeiro, mas sempre lamentado esse primeiro que queremos com todas as forças.
O meu primeiro amor vive naqueles recantos da memória, escondido nas sombras desejoso de aparecer por cima de qualquer e mostrar-se ao mundo. Ainda hoje acredito que ele pense em mim tal como eu penso nele. E que a qualquer altura como num sonho ele vem para mim, para me mostrar que somos alma gémeas um do outro
sábado, 25 de junho de 2011
Sózinha
Não quero esta solidão que me invade o peito agora, que me faz deitar as lágrimas fora quando eu não quero. Não quero este abandono lento da alma, este espinho que cada vez mais se enterra no meu coração doente. Não quero, e não quero mais, este sentimento de estar a mais em alguns lados. Em deixar-me invadir pelo sentimento de não ter nada nem ninguém. Afinal é saber estar sozinha na multidão que nos cerca que nos desampare quando tentamos estar amparados em algo sem sentido. Chego a esticar a mão em vão a um sentimento que me nega. Afinal a solidão é real é definitiva em mim. Só sozinho ultrapasso tudo e sobrevivo à dor que consome o peito.
Não quero estar sozinha e é sozinha que estou, é sozinha que me encontro todos os dias, tanto na multidão espalhada por aí, como no chão frio de uma cozinha qualquer, escondida atrás de uma mesa.
O estar a mais já deixou de ser uma impressão para ser real, para ser uma certeza vincada.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Vamos ser outra vez
Eu quero sentir-te em mim, como se nada nos tivesse separado nunca, como se tudo fosse mais uma vez nosso. Como se o mundo fosse nosso novamente. Não quero a solidão que me invade o peito outra vez como se tudo voltasse como antes. Ao inicio...E agora? É o o peito que ainda chama por ti, pelo teu abraço, pelo teu carinho. Pela tua eterna presença que me acarinhava apesar das distancia que nos separava. E choro...Tantas vezes choro por ti, grito o teu nome no meu coração. Ninguém ouve, não é para ouvirem. É para me chegarem a ti, para me deixarem outra vez presa a ti. Presa a alguém que era tudo...E agora sem ti nada sou. Não tenho nada. Luto por um caminho que não tenho nada....
Preciso do tempo para me trazer até ti...
Preciso de ti
M**
sábado, 18 de junho de 2011
Inatingível solidão
Entre a multidão, perdida num mar de braços e de sons que circulam à minha volta. De olhares que talvez nem olhem, não vêem nada. Sinto a tua falta, sinto as canções que tantas vezes cantamos juntos (outras não porque já não as pudeste ouvir), ouço-as no meu coração, como se estivesses ao pé de mim a cantá-las de mãos dadas os dois, a balançar os braços ao som da balada que gostavamos.
Fecho os meus olhos, entoou a musica dentro da cabeça, nos lábios e no coração. Finjo que te dou a mão, que estás ali comigo.
Fingir é tão bom, fingir que ali estás, que nunca foste embora, e que vivemos outra vez tudo. Fingir é tudo o que me mantêm agarrada a algo que muitas vezes tento esquecer. E em quanto a musica passa o meu coração balança com as musicas tão nossas conhecidas. Umas que tu não conheces-te comigo, mas eu eu canto para ti em silêncio nas muitas noites em que adormeço a chorar por ti.
Sim ainda choro, é rara a noite que não chore a pensar em ti. A rara a noite que não sinta a coração a afundar num desespero mudo que te chama.
Poucos sabem, nem se quer sonham, nem quero que imaginem. Afinal a minha fraqueza és tu. A minha fraqueza é o teu nome. As tuas lembranças....
M**
terça-feira, 14 de junho de 2011
O mundo desaba
O meu mundo desaba à minha volta. Onde estou eu? Para onde vou...Quais serão os limites para mim. Não me encontro nas esquinas onde me perdi. Parece que nada se torna em mim outra vez verdadeiro. Tenho medo do mundo, tenho medo de querer e de lutar, tenho medo de avançar com medo de recuar outra vez para um beco que não é meu.
Não me sinto, não me vejo, não me resumo. O meu peito está calado na horas mortas e o silêncio consome-me o peito. Tenho medo do mundo e tenho a coragem necessário para o enfrentar. Mas até quando poderei lutar contra a minha natureza, contra aquilo que eu sou.
Voltei atrás outra vez, voltei a viver, aquilo que temia que voltasse sem a força necessária...E tenho medo dessa falta de força.
Tenho medo que desta vez sucumba...a tudo
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Ele roçou-me o olhar
Nada se apagou. Eu sei disso, e tu sabes disso. Sentimos tudo sempre. Por mais voltas que a vida nos dê, por mais que eu negue o sentimento. Eu sei que o sinto, eu sei que ele existe e sempre que te vê. Sempre que vê esses olhos castanhos, sinto um afogar no peito. Uma dormência doce.
És o meu pecado, és o que eu procuro tanta vez e me nego a aceitar quando vens.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
O medo de mim
Como se ele entra-se novamente em mim, para comandar o meu destino. Como se tudo o que estava bem de repente fica-se mal, que o tempo nega-se a minha existência. Avançou durante estes dias com precisão, como sobras que se atravessam no caminho à noite quando estamos sós.
Tomou outra vez conta de mim, invadiu a minha alma e trouxe-me o passado que eu não queria num presente.
Negar entre sorrisos o que eu escondo entre lágrimas, ter medo de um abraço, de um carinho, de um consolo. Não quero ver o mundo a desabar à minha volta quando sinto o meu mundo a desabar sobre os meus pés. Não quero ter a minha vida alterada. Só quero ter a certeza que as minhas lágrimas, são minhas e de mais ninguém.
Não quero que ninguém chore por mim, não quero que o mundo se vire por mim outra vez, mais uma vez. Só quero que ele volte a ser como era. Só quero ter na minha mão outra vez o meu mundo.
E sinto-me fraca, faço força para não mostrar mais uma vez a minha fraqueza e tenho medo que ela me domine, que ela tome conta de mim. Afinal eu sou forte, essa sou eu. Força....
Mas por dentro a carapaça rompe lentamente, à procura de um lugar para chorar....
sábado, 4 de junho de 2011
Quero ainda estar contigo esta noite
Quero abraçar-te com força, envolver o teu corpo no meu. Entrelaçar-nos num só, contacto pele com pele sem nada a separar o nosso toque. Quero que te fundas em mim para sermos outras um. Sentir o teu ritmo dentro de mim a deixar-me louca outra vez. Desenhar com a ponta dos dedos a tua pele macia em quanto te abraças a mim com medo de me soltar.
Envolver-me em ti, poder sentir-me tua de todas as maneiras possíveis. Ouvir o teu gemido no meu ouvido em quanto tentas conter o abafo da garganta num grito mudo de prazer. Engolir a saliva que me sobe à garganta quando o cume do prazer atinge o seu pico mais alto.
Quero saber que ainda nos pertencemos todas as noites, quando nos deitamos ao lado um do outro, em breves momentos nos abraços com pressa para ninguém saber que somos um do outro.
Preciso de estar contigo esta noite
quarta-feira, 1 de junho de 2011
A casa do norte
Capitulo II
O reencontro IV
Cheguei a casa a transpirar, parecia que tinha vindo a correr uma maratona ou algo parecido. A minha avó, querida como sempre perguntou-me o que se passava para eu ter vindo a correr. Eu lá respondi entre dentes que tinha vindo depressa e que o garrafão estava pesado.
Pousei o garrafão em cima da bancada e fui buscar a garrafa, em quanto enxaguava a garrafa para colocar lá dentro a água da fonte perguntei pelo meu irmão. Desde que tinha chegado que não o tinha mais visto. A minha avó disse que ele tinha enchido a bicicleta e desaparecido. Provavelmente teria ido ter com o meu tio ao estábulo das vacas para dizer que já tinha chegado.
Em quanto metia a mesa o meu irmão chegou a arquejar, vinha cansado de tanto pedalar. Perguntei por onde ele tinha andado, que ele devia estar a ajudar em vez de passear. Ele ignorando o meu reparo virou-se para a minha avó e disse de uma só tirada "O Zé está cá, vou com ele buscar o leite, queres que traga para nós?" Bolas pensei eu, o meu irmão já andava colado a ele. Que mal tinha eu feito para merecer isto.
O meu tio era quem tinha o maior estábulo de vacas e ele "fornecia" o leite à aldeia, e quando lá estávamos também a nós. No final de cada mês as pessoas davam-lhe uma quantia razoável pelo leite que consumiam. O meu irmão voltou a sair a correr, pegou na bicicleta e desandou. Eu olhei para o relógio, meia hora mais coisa menos coisa e o leite teria de ser entregue no depósito do leite. À imenso tempo que não entrava lá. Adorava o cheiro do depósito, ver a "balança" a contabilizar o leite dado pelo meu tio e o outro ordenhador da aldeia o senhor Artur.
Fui para cima fazer as camas e arrumar as camas para todos. Em quanto fazia as camas ouvi o meu irmão a gritar para trazer a cafeteira para o leite. Lá eu desci as escadas a correr novamente com medo que a minha avó não tivesse ouvido o meu irmão. Saltava de dois em dois degraus e no ultimo aconteceu o inevitável, coloquei mal o pé, e senti ele a inclinar-se, em quanto me agarrava à primeira coisa que tinha à frente o ar...Cai desamparada no patim, onde ouvi risinhos. O meu irmão claro disse logo que era mesmo desastrada, que não sabia ter cuidado, miudinho insuportável que passava metade da vida com feridas nos joelhos. Lá me levantei à pressa e encarei novamente aquele olhar. Parecia que a situação se tinha alterado, agora era eu a envergonhada e ele o que se ria de mim.
Virei costas e fui buscar a cafeteira, estava fula se ele pensava que gozava assim comigo. Eu ia lhe mostrar que ele não tinha o direito de gozar comigo. Voltei para a rua com a cafeteira na mão e o meu irmão meteu-a no jarrão do leite para o tirar. Em quanto evitava olhar para o olhar dele, ouvi uma voz que eu não conhecia a perguntar "estás bem?" voltei-me para ver se a voz correspondia à pessoa que eu estava a pensar. Era ele, a falar comigo. O sotaque não deixava de enganar de onde ele vinha.
Acenei com a cabeça sem lhe responder directamente. Fingindo que estava tudo bem. Ele apontou para o meu joelho e vi uma fio vermelho escuro a escorrer-me pela perna. Disse-lhe que estava tudo bem, que não se preocupa-se. Aceitei a cafeteira que o meu irmão me estendia e voltei-lhe as costas. Entrei em casa e sentei-me numa cadeira, em quanto com um guardanapo limpava o sangue já um pouco seco. A minha avó olhou para a minha perna e disse "já cais-te outra vez?" eu resmunguei um sim inaudível e sentei-me para jantar.
O jantar correu normalmente sem grandes conversas. a fadiga da viagem pesava no corpo que ficava mole com o passar das horas. Depois de comer e limpar a cozinha pedi licença para me ir deitar. Despedi-me dos meus avós e subi a escada. Ainda era cedo e no horizonte notava-se ainda uma risca clara do à muito por do sol que tinha deixado. Em quanto vestia o pijama, e escovava os dentes pensei o que iria fazer no dia seguinte, ainda não tinha visto as minhas amigas e era uma altura de ir à procura delas. O meu primo também ainda não o tinha visto. Peguei num livro e fui-me sentar na varanda a ler. Estava uma noite calma onde não se ouvia nada. O céu estava estrelado, límpido, sem uma única nuvem no céu. O dia seguinte iria ser quente...Pensei eu. Depois de uma duas horas sentada a ler, levantei-me do chão e fui para dentro para dormir. Olhei para o telemóvel a ver se tinha alguma sms ou chamada. Nem um sinal de vida do Sérgio, ainda estava chateado comigo por ter ido para cima. Mandei-lhe uma sms curta "Desculpa, sabes que não queria vir, mas teve de ser. Jokas"....Segundos depois recebi a resposta. "Tenho saudades tuas"...Dirigi-me à janela para a fechar e olhei para a casa da avó do Zé. Já as luzes estavam apagadas, pelo menos quase todas. Ainda sobrava uma. Se calhar era a do quarto dele.
Fechei a prussiana, e deitei-me, poucos segundos depois estava entregue a um sono profundo sem sonhos
terça-feira, 31 de maio de 2011
Não me ames ainda
Não me ames já, dá tempo para que o amor cresça como antes. Que floresça outra vez no meu peito aquela vontade que tenho de estar contigo. Deixa-me tirar do tempo o que o tempo tirou de mim. Vamos andar, sem correr. Não quero correr, correr cansa e andar é bom.
Não vamos ficar parados porque parar é morrer. Vamos andar...Mas devagar como se fossemos dar um passeio os dois e apreciar aqueles momentos juntos sem tempo que o tempo venha cobrar.
Vamos como se não tivéssemos pressa de nos amar. Vamos amar com tempo é disso que precisamos. É disso que estamos a precisar.
De tempo para nos amar-mos. Mas sem tempo para amar
quarta-feira, 25 de maio de 2011
No dia em que foste embora
Prometi que não iria chorar por ti, quando te visse afastar naquele carro, pela estrada que nos ia separar por tanto tempo. Prometi que não iria sofrer pela distancia e pelo tempo, e não foi isso que consegui cumprir. Prometi até que as saudades não me matariam a alma.
Mas e quando a alma já não existe, quando ela partiu contigo para longe, levada pelo som da distancia que emanava de ti. E quando ela sabia que te pertencia e que se pegou a ti sem querer largar mais essa união que se fez em tão pouco tempo.
Hoje recordo aquelas promessas, aquelas promessas que eu nunca consegui cumprir. As promessas que entre lágrimas te prometi. E mesmo antes de ires me disseste que eu era a tua vida, parte de ti, alma gémea de ti, eu soube que era eterno, e que nós éramos eternos onde fossemos.
Só queria que soubesses que essa eternidade ainda dura em mim, desde o dia que te prometi que não choraria por ti. E saberes que essa promessas nunca fui cumprida pois todos os dias ainda choro por ti. Como no primeiro dia que te prometi.
terça-feira, 24 de maio de 2011
A casa do norte
Capitulo II
O reencontro III
Quando a avó dele voltou a falar é que voltei a mim, ali estava ele ainda, e tudo como à 30 segundos atrás, só mudou a minha maneira de ver as coisas. Apesar de tudo não tinha pena dele. Eu nem gostava dele.
Depois de cumprimentar a avó dele desci pelo carreiro em direcção à fonte. Em quanto atravessava as ervas que quase me davam pelo joelho, ouvi as rãs que estavam a apanhar os últimos raios de sol a saltar para dentro de água. Nadavam rapidamente em direcção ao fundo do lago para se esconder. Abaixei-me junto à fonte e meti a mão na água, fresca como sempre, até arrepiava só de sentir. Em quando desenroscava a rolha e trauteando uma musica que ultimamente passava muito no rádio, e que eu ate gostava.
O sucesso daquele Verão não para de tocar, na rádio, na televisão. Fosse onde fosse toda a gente conhecia aquela musica e toda a gente a cantava. O "Morango do Nordeste" da recente banda Canta Bahia, estava a fazer furor entre as pessoas. Enchi a garrafa com rapidez e voltei a enroscar a rolha. Levantei-me e lá caminhei carreiro acima para voltar ao caminho da escola.
Era assim o caminho conhecido por levar à antiga Escola Primária que se encontrava prestes a fechar portas por falta de alunos.
A escola onde andará o meu pai e o meu tio e antes disso os meus avós, encontrava-se exactamente igual diziam eles. Não mudará nada, só a pintura exterior. As mesas e cadeiras ainda eram as mesmas, os desenhos na parede ainda eram os mesmo. Tão diferente da minha escola primária e ao mesmo tempo tão mágica e antiga, dava àquela escola o que eu gostava...Lembranças.
Voltei pelo caminho acima em direcção à lameira quando o vejo um pouco mais em cima a caminhar ao lado da avó, andavam devagar por causa do passo lento da senhora e conversavam. Agora de costas poderia olhar mais pormenorizadamente para ele. Estava alto era verdade, não me lembrava dele tão alto. Mas também estava magro. Se calhar tinha crescido depressa de mais pensei eu. Era comum na idade dos rapazes. O seu cabelo estava claro com o sol a bater-lhe na lateral.
Trazia uma t-shirt de cavas preta que lhe fazia sobressair os braços, uns braços que se notava bastante trabalhosos, ginásio talvez. Lembrava-me do irmão dele ter dito que andava num, se calhar ele também andaria.
Dei por mim fascinada, pois não me lembrava dele assim, ou se calhar nunca teria olhado para ele assim. A ultima vez que o tinha visto eu teria talvez uns 10 anos. E naquela altura eu preocupava-me mais com o os brinquedos e com os desenhos animados do que com rapazes. Quando entrava nestes pensamentos ele voltou-se para trás e viu-me a observá-lo. Desviei o olhar como se não tivesse reparado que ele estava ali a uma meia dúzia de metros à minha frente. Afrochei o passo para eles poderem avançar para não ter de me cruzar com ele. Quando já levavam um larga vantagem de mim, eu arranquei em direcção ao caminho que me levava a casa sem mais olhar para trás.
Ele ainda era o menor dos meus problemas
domingo, 22 de maio de 2011
O coração ainda bate
Transtornas-te o meu olhar, o meu coração, quando sorris-te daquela maneira que eu gosto. Quando me disses-te que eu era tua. O teu sentimento de posse foi grande de mais para mim, afinal eu sempre fui tua e serei sempre tua. Tal como tu serás sempre meu. Tal como o nosso sorriso será sempre um, mesmo que alguém o tente apagar.
E o coração bateu, bateu com força. Aquela saudade sufocou-me o coração e eu queria ceder. Mas o ceder era perigoso para mim, e eu sou mais forte que a minha vontade. Lutei, e lutarei sempre contra este magnetismo que nos aproxima.
Quando deitei a cabeça no teu colo foi como se tudo tivesse voltado. Eras tu e eu. E nada mais existia ali, nada tinha passado. Eramos tudo aquilo que estava ali. O centro....
E senti-me bem. Senti-me viva
terça-feira, 17 de maio de 2011
Aquele beijo
Sonhei contigo, tive te novamente nos meus braços, acaricie a tatuagem que tens no braço com os dedos como a desenhá-la novamente. Voltei a abraçar-te como tantas vezes o fiz. Desenhei no meu pensamento o contorno dos teus braços fortes como se todos os dias os pudesse tocar novamente, acariciar, sentir que são meus. Sentir que a eles eu pertenço.
Encaixei-me em ti como se precisa-se de um conforto, e senti-me tão bem naquele momento, como se nada nos pudesse voltar a separar. Nunca mais.
Com a força do meu coração disse-te que eras a minha vida. Tu sorris-te para mim, e pousas-te os teus lábios nos meus, no inicio leves. Como se não tivesses pressa naquilo que estavas a fazer, de repente esmagas-te contra os meus, com uma urgência que me fez tremer por dentro. Um tornado de prazer e de vontade de estar contigo. E eu sabia que aquilo tudo, éramos nós. Num só
domingo, 15 de maio de 2011
O que sou para ti?
Segura outra vez na minha cara e diz que me amas como tantas vezes o fizes-te, diz-me que eu sou tudo para ti como tu sempre foste tudo para mim. Não te negarei nada, não te esconderei mais este olhar que tanto te procura entre a multidão com medo da tua sombra e com ânsia da tua presença.
Vem até mim, sem medo, avança lentamente não tenhas pressa, eu sei que agora temos todo o tempo do mundo para nós. Sempre fomos nós, nunca existiu separação, nunca soubemos viver sem esta doce palavrinha que nos torna num único ser em dois corpos.
Alma minha, parte de mim, és tudo aquilo que me falta quando eu acho que tenho tão pouco em mim, és aquela peça gigante que me completa quando eu me sinto incompleta. És a minha alma no vazio que chama por mim, sem precisar de chamar.
E eu? o que sou eu para ti...É dessa parte que eu tenho mais medo. De saber que para ti eu sou só mais alguém perdida num mar de muitos alguéns. É isso que quero saber, e isso que tu me negas a dizer. É só isso...
O que sou eu para ti?
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Eu quero voltar a sonhar
Quero viver de certezas, quero acordar todos os dias a sorrir, como quando sonhava contigo. Preciso de saber que algo de bom ainda existe em mim. Sinto-me a morrer aos poucos por não estares perto. Por teres partido. Apetecia-me gritar a falta que tu sentes. Apetecia-me estar contigo, falar contigo.
Só, solidão, em cada passo que dou. Sinto-me rodeada de ninguém. Sinto-me num mundo exausto de mim. Preciso do tempo que passou, preciso de tudo o que perdi. Tantas vezes olho pra trás e penso "perder para depois ganhar". Agora vejo que nada ganhei.
Preciso de algo que me motive, de algo que puxe por mim, que me abrace, me diga simplesmente que está tudo bem. Que me faça sorrir todos os dias. Que me faça acreditar em mim. Que me faça sonhar mais uma vez. E é nisso que me tenho perdido...a procurar
segunda-feira, 9 de maio de 2011
O reencontro II
Capitulo II
O reencontro II
Contive a respiração, nem queria acreditar, depois de tanto tempo. Lentamente ele virou-se, tão lentamente como se o relógio tivesse parado de andar. Como se cada tic tac do ponteiro dos segundos demora-se horas a ouvir. O meu coração acelerava a cada movimento dele. Fiz o melhor sorriso nos lábios para finalmente lhe puder "saltar" para o colo.
Mas o movimento dele não foi mais do que um desviar ligeiro, ele continuava quase de costas. Esmoreci o sorriso e pensei chamá-lo. Não seria má ideia. Afinal ele não adivinharia que eu ali estava, de repente ouço algo a mexer-se na lateral. Pelo canto do olho vislumbrei uma forma escura a levantar-se e desviei rapidamente os olhos para aquele movimento. Nessa pequena fracção de segundos o meu efeito surpresa apagou-se "Boa tarde menina, está boa?! Como estão os seus pais"!
Boa a avó dele, sempre simpática e querida a senhora, mas muito faladora. Quando voltei o olhar para o lugar onde estaria ele, já se tinha deslocado para mais perto da avó. Franzi o sobre-olho não era ele. Era o irmão. O chato do irmão dele. Com o seu andar esguio e meio atrapalhado aproximou-se da avó e segurou-lhe o balde preto. Parecia pesado, pensei eu. Sorri para ele, mas ele não me retribui o sorriso, só o olhar.
Bem se calhar não sabia sorrir, anormal do miúdo.
Quando era mais novo já o detestava, apesar de ser mais velho que eu dois anos, sempre foi aquele típico menino dos papás. Em quanto eu e o irmão dele o Manuel fomos "criados" entre vacas e cabras, a subir aos pinheiros, tomar banho no ribeiro e a comer amoras até quase rebentar, a tirar leite às vacas, a correr pelo lameiro a fugir do chibo que nos queria marrar. O irmãozinho mais novo o queridinho Zé, menino da cidade, criado entre árvores de betão, habituado a subir a elas por elevador, entre mimos e brinquedos caros.
Ele puxava-me os cabelos, fazia birra porque queria ir connosco guardar as cabras e depois chorava com medo quando uma se aproximava dele. Sempre o vi como uma versão mimada do irmão.
Se um era a brisa campestre, o por do sol de verão, o canto da popa nas manhas de primavera, o outro era as tempestades de birras, o ladrar dos cães atrás do osso, o fogo que ardia no verão a destruir o nosso mundo.
E ali estava ele, à minha frente, como se nunca se tivesse passado aqueles anos por nós, como se o detesta-se tanto como o tinha detestado um dia. Os seus lábios serrados mostravam esse mesmo sentimento, reciproco. Mas o olhar mostrava surpresa, talvez até uma pontada de alivio. Desviei o olhar dele, para poder cumprimentar a avó dele. Entre perguntas como estava o pai, a mãe o irmão, a avó, o cão, o gato. Lá me falava que a filha tinha-lhe mandado aquele para estar com ela aquele mês. Para ver se ganhava um pouco de juízo. Mas que o seu Manuel, o seu querido Manuel, criado por ela até aos 8 anos de idade esse tinha ficado na cidade a estudar, tinha de ser, estava a tirar a carta disse-me ela. Estava um homem....
Nesse momento as palavras dela moeram o meu coração por dentro, as saudades devoravam-me as palavras que eu queria dizer a ele. E quando olhei para o Zé, senti uma pena dele, pena do que ele estaria a sentir por a avó dizer aquilo dele, e vi um pouco naquele olhar do meu melhor amigo.
Talvez tenham só passado minutos naquele vaivém de emoções, para mim já pareciam dias. Era muitos sentimentos para tão pouco tempo.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Um vazio sem fim
Sinto-me morta! E agora? Sinto-me a transandar em podridão e bolor. Sinto-me como me morta, sem nada por dentro.
Oca como uma bola de ping-pong, vazia como um frasco cheio de nada. Sinto-me só, enterrada. Sem sentimentos alguns.
Preciso de voltar a viver e acho que já não consigo. Tudo aquilo que tinha foi-se. Não quero mais nada. Não preciso de mais nada. Talvez a vida, ou talvez um simples carta me tenha mostrado o quanto errada e parva eu era. O quando eu precisaria de agora avançar e mudar o meu sentimento.
Ele mudou, de uma hora para a outra mudou tudo.
E eu tenho de aceitar que ele mudou. Tenho de aceitar que agora os sentimentos deixaram de existir, que a vida deixou de existir. Ou simplesmente uma vida que eu julguei um dia ter. A minha vida segue. E o que ficou lá atrás....
O que ficou lá atrás...É para esquecer!!!
Chega de chorar, de tudo. Chega....Ninguém merece isso. Ninguém
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Hoje pode ser tarde de mais
Pode ser tarde de mais agora, quando te vejo com outra, de mão dada na avenida, como se na vida nada mais te importa-se. Vejo as vossas fotos naquele vosso mundo ilusório, cor de rosa. Um mundo ao qual um dia eu pertenci, e agora vejo pintado de preto e branco.
E em quanto passam de mão dada, não me vêem na esplanada esquecida, sozinha, à espera de um significado para tudo aquilo que um dia tive e deixei fugir.
O tempo urge nas minhas mãos, nega muitas vontades e muitas lutas. Sente-se completo ali sentado à espera de nada.
O vosso sorriso é sincero e é disso que tenho medo, de nunca vir a ter um assim pra mim, um sorriso de amor, de carinho e de alguma coisa mais que tudo aquilo que eu deixei de acreditar um dia.
Amar é tão lindo amar, é tão grande, tão perfeito. Mas não é p'ra mim à muito que percebi que não é p'ra mim. Amar é para aqueles que não se preocupam com nada, para os que ainda procuram o brilho nos olhos. Para aqueles que são felizes todos os dias. Eu já não sei ser feliz, já não sei sorrir.
Eu perdi a esperança de amar, eu perdi a esperança de acreditar no amor.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Cada vez mais
Não sei onde hoje fui buscar a força que precisei, não sei de onde me veio a coragem que muitas vezes me falta quando mais preciso dela. Sei que foi de ti, foste tu que mais uma vez iluminou o meu caminho nestas horas de solidão. Mais uma vez tu me chamas-te à razão para o que eu precisava, e mais uma vez soube que era contigo e por ti que eu queria estar.
Sinto tanto a tua falta. Aninhar-me no teu colo, poder chorar sempre que precisava, sentir a tua mão nos meus cabelos a dizer para deitar tudo para fora do peito, para abrir o coração.
Abrir o coração? Não sei o que isso é, fugiu-me à tanto tempo essa capacidade. Fugiu de mim e não voltou mais.
Queria ter-te aqui só um momento. As saudades matam um coração tão delicerado. Tão magoado, tão partido. Morrer, morri uma vez, quando tu foste senti-me morta num mundo perdida. E agora não consigo viver cada dia sem pensar em ti. Sem chamar por ti....
À noite que é quando a dor inflama o meu peito e me faz chorar, à noite que é quando o silencio é sepulcral e mói a mente e o coração.
À noite é que chamo por ti. Todas as noites....
Sempre....
M**
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Estamos aqui
Estamos aqui tão sós os dois, sinto o teu olhar pregado nas minhas costas como se quisesses dizer algo e não conseguisses. E eu? Eu não te consigo dizer as palavras que à tanto tempo trago presas no peito. As palavras que me consomem se tu se quer saberes.
Sinto a tua presença em todos os lados, como se sempre estivesses aí desse lado à minha espera. Respiro fundo e muitas vezes falta-me as palavras, falta a incerteza e a tudo aquilo que idealizei. Luto contra algo que já nem se quer tenho forças para suprimir de mim.
Preciso de te dizer e não consigo. De te contar todas as horas o que o meu peito reclama à tanto tempo.
A tua mão é tão quente, aperta a minha com fervor, com segurança, com a certeza que nunca me vais deixar cair, nunca me vais abandonar com mágoas e danos. É por ti que suspiro nas noites escuras. Por ti chamo em cada segundo que preciso de ti.
Vem para aqui....Minha vida
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Ninguém entende
Ninguém entende que eu já não o queira mais para mim. Que não precise dele mais, que sei viver sem ele. Não o quero e pronto....
Quero ter os pés assentes na terra, quero cumprir os meus objectivos, quero parar de idealizar para depois me magoar como tanta e tanta vez já aconteceu.
Quero ser feliz sem ele e sei que consigo. Não preciso que o empurrem para cima de mim, que digam que ele é maravilho, que é mágico grande.
Eu sei disso tudo. Até sei mais....
Sei que ele nos faz perder noção do espaço e do tempo, sei que ele nos consome-me a alma e o coração, que nos tira quem somos, nos faz esquecer de nós.
Que parecemos patetas, rudes ou até parvos. Que temos coragem para tudo o que queremos, para tudo o que ele nos pedir.
Deixamos de ser nós, passamos a viver só em função de algo. Passamos a acreditar que não existe nada mais perfeito.
Mas e depois? E quando tudo acaba? e quando o mundo se desmorona a nossa volta e nos enterramos num mar de tristeza e de dor. Quando o mundo fica virado ao contrário.
Não o quero mais, não quero, não quero e não quero. Não preciso dele...
Morreu para mim, para a minha vida
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