quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Um brinde à tristeza
O céu estava alto nesse dia. Ouvia os risos, perfeitamente dentro de mim. Um desconforto no peito, um mau estar que me provocava o coração. "É impressão tua". Não descolava os olhos do telemóvel. Algo estava mal. "Diverte-te".
Tentei ignorar o latejar, enchi mais um copo, saudei o ano que se acabava. Dancei, saltei...Era quase meia noite. Faltavam meros minutos.
As doze passas na mão, o copo de champanhe na outra, contagem 5, 4, 3, 2, 1...."Feliz ano novo" Brindes, desejos pedidos. Tudo em ordem....
Voltamos para dentro, estava frio na rua. Cantamos, dançamos. O telemóvel toca, eram eles de certeza para desejar um bom ano. Lá já tinham festejado há uma hora atrás.
"Estou...Bom ano queridos"
"Estou Lúcia, Bom ano. Olha ele está no hospital, teve um acidente grave"
O que?
Não podia ser...Como podia. Era impossível.
O meu mundo desmoronou naquele segundo, senti-me a andar a roda, chorava sem ter dado conta. Estava gelada, por dentro. Sentia-me presa ao chão, como se as minhas pernas pesassem 100 kilos cada uma. Neguei, não podia ser. Como podia, o meu mano, o meu irmão. Porque ele?
Porque a melhor pessoa do mundo. Porque?
E ainda hoje eu pergunto
Porque?
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Vivi assim
Foi assim que vivi, durante 5 anos contigo, entre as lágrimas, e a solidão, entre a incerteza e o sofrimento. Foi preciso quase não falar, a voz falhar-me entre as lágrimas que rolavam pela cara, foi preciso o sufoco não me deixar falar, e o coração quase parar pela angustia. Fiz tanto e tive tão pouco, senti tão pouco, vivi tão pouco. Gritei por alguém que nunca me ouviu, chamei por alguém que sempre esteve surdo para mim, e agora vejo que foram 5 anos para fora. Foram 5 anos que se perderam entre as brumas de uma memória. Era-mos felizes em momentos nossos, eu era triste em todos os outros. Tanta vez quis falar, quis dizer-te e não consegui. Eu era só mais um grão na tua vida imensa. E esse grão acabou por partir, com o vento, levado pelo coração, partido. Magoado, traído e triste. E agora no ar ficar a pergunta. Porque?
domingo, 26 de dezembro de 2010
Foi um sonho, mais um
"A lareira estava tão quentinha, tão quetinha como o teu abraço, enrolamos-nos um no outro e ficamos a ver o crepitar do fogo que se extinguia em cada estalo. O mundo já tinha parado outra vez e mostrou-nos o quanto é bom sermos assim, o quanto é bom estarmos assim. Senti-me protegida entre ti e o teu abraço forte, senti-me amada, acarinhada. Soltei um suspiro de ternura, de encanto, de nostalgia, afinal há quanto tempo não me sentia assim. Senti a tua respiração no meu pescoço, como era bom sentir-me assim perto de ti, da tua vida. Disseste que ainda me amavas como sempre amas-te, disseste que querias ficar comigo para sempre, e eu aceitei isso como um futuro. Quis-te olhar nos olhos e dizer-te que eu também sentia isso tudo. E quando olhei para trás rebolei na cama, e vi que afinal tudo não passava de um mero sonho. Só em sonhos...."
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Ele já chegou
"Veio em tão pézinhos de lã que nem se deu conta, não entrou pela chaminé, nem pela porta, muito menos pela janela. Não sabemos por onde veio, mas já chegou, trouxe com ele, os cheiros, as cores, as luzes, a alegria. Trouxe também a saudade, a união, a fraternidade. Como não demos conta dele? Afinal não é assim tão pequeno que não se note, nem tão grande que o percamos de vista. Mas ele chegou, e veio mesmo rápido. Quando demos conta já aqui estava, e soubemos que estava mesmo perto, ali ao lado.
Eu sei que não queria que ele chega-se por um lado, sinto-me um pouco vazia, sem aquele calor no coração, sem aquela coisinha boa que cresce no peito todos os outros anos. Acho que não me preparei para ele e agora sinto-me triste por isso. Afinal ele veio aqui para ficar pelo menos uns diazinhos.
Apetecia-me fugir dele, mas sei que não posso, ele está em todo lado. Não o odeio, o ódio é uma coisa tão feia. Simplesmente ele deixa-me triste.
Mas ele já chegou. O Natal"
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Dei-te a mão
"Estendi-te a mão e nem lhe tocaste, fingiste que nem ali estava, viras-te o olhar para o fundo sem perceberes que o meu chamava por ti. Faltaste-me quando eu gritei, tapas-te os ouvidos para não me ouvires de longe. Ignoras-te as minhas lágrimas, as minhas feridas por ti abertas. Negas-te que fosse por ti este sofrimento, quiseste que eu fica-se sozinha na penumbra para não teres de me olhar quando eu precisava de ti.
Tanta vez te pedi para olhares para mim, para desceres desse pedestal onde te puseste e visses que afinal eu estava ali, magoada, ferida, sem se quer saber porque. Mas esse teu mundo era e sempre foi superior a mim. Essa tua sede de egocentrismo sempre te cegou perante o que eu estava a pensar.
Agora vês que o mundo não és tu, nem está em ti, mas sim tu no mundo. Foi preciso o teu mundo cair há tua volta para tu dares conta que o mundo que crias-te para ti não era mais que um produto da tua imaginação, que o teu mundo era eu, e que esse mundo tu o tinhas destruído, magoado, martirizado, com esse teu olhar gelado que me deitavas quando o meu suplicava que ficasses comigo. Sentes-te sozinho? Eu também me senti, e tu nunca te deste conta"
domingo, 19 de dezembro de 2010
Surgiu o amor
"Foste embora e nem olhas-te mais para mim, negas-te o meu olhar, sem se quer ver o que ele te dizia. Lembras-te daquele dia? Eu lembro-me bem. É como se tivesse a vive-lo a agora. Eu e tu, ali no nosso sitio, olhamos um para o outro e sorrimos, e foi mesmo bom o que sentimos. Era diferente, não precisávamos de mais nada, nunca houve beijos, nem abraços, naquele momento, só as mãos se tocavam, e os olhares, esses beijavam o silencio que existia para nós. O mundo, o nosso mundo tinha parado. Palavras talvez nem existissem na nossa cabeça. Era tudo muito diferente, era tudo perfeito.
Sentia o estômago ás voltas, como se tivesse mil borboletas lá, e descobri que isso era bom, uma sensação que nunca tinha sentido, sentia o cérebro vazio, como se tudo o que tinha pensado tivesse sumido para sempre. Sentia as mãos a tremer, ou seria impressão minhas? Sentia que tudo era bom, e que não precisava de mais. Lembras-te desse momento?
Eu nunca o esquecerei, foi o primeiro e o único. Nesse dia descobri o amor"
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Um dia ainda te vou dizer
"Um dia ainda te vou dizer o que tanto tempo te escondi. Vou confessar-te o que tive medo de te dizer daquela vez. Vou conseguir ter coragem para contar a verdade que teimo em esconder. Não basta o teu olhar através da multidão, ele crucifica-me o coração, faz-me doer. Não quero mais negar este sentimento sempre que te vejo, preciso de te contar, de te dizer que ainda dura em mim. Preciso de revelar o que o meu coração sussurra. Afinal amei-te tanto, e agora tenho medo deste amor. Tenho medo de avançar e saber que vou ser negada. Despedaçada, mais uma vez. Bastava um único sinal teu e iria ter contigo, para te poder dizer. Quando chega o Inverno, o frio, a chuva, tudo amortece o coração, esqueço a dor, esqueço se quer que tu ainda assim existes, não passas de uma imagem. Mas quando estou perto, a realidade confronta-me, mostra-me o que eu nego há tanto tempo. Ainda te amo...Será que é pouco?"
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Além
"No silencio, hoje eu nego que tu existis, que estás aí desse lado, que afinal era tudo uma realidade. Tento fingir que não se passou, que nunca fomos mais do que somos hoje. É tão mais fácil quando estamos longe, ignorar a tua existência perto de mim, a tua vida, o que fazes, o que vives.
Quando chega o Inverno, aqui, é como se nem existisses para mim, é como se não fosses mais que um produto da minha imaginação que exalta os sentidos nas noites, em sonhos descritivos do nosso igual prazer.
Mas e depois? Quando te vejo além, a fingir também que nada somos, a sussurrar um para o outro que estamos ali, frente a frente, mas distantes, trocando em olhares secretos, uma vontade de nos encaminhar-mos um para o outro. O mundo talvez pare, ninguém se apercebe, ninguém nunca vai se quer dar conta. Limitamos-nos a isto....Por quanto mais tempo? Terei eu de fingir."
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
No silêncio do Adeus
"Nunca foi um Adeus, foi sempre um até durante muitos meses, uma despedida que sabíamos que seria curta. Um até breve mais longo que o normal. Aprendemos a conviver com isso os dois, e com isso aprendemos a crescer, a vivermos e a sermos, mais e melhor todos os dias. E quando eu te dizia até breve, no silêncio do meu coração, chorava um adeus da tua partida, uma dor que se acumulava no peito com a distancia do teu carro a afastar-se de mim, um choro escondido, pela madrugada fora vertido na almofada, em que não vinha o sono. E durante dias era assim, até voltar ao quotidiano, ao normal. E vivia em função da espera, do nosso até breve, vivia para os momentos que tínhamos os dois há noite, vidrados frente a frente a um ecrã, esperando as respostas. Esperava que chega-se a volta, o teu olhar a vir, o teu sorriso para mim. Acho que nunca me ensinas-te a dizer adeus, e eu nunca consegui aprender sozinha. Sei que não é fácil, que dói, que remói, que destrói...E sei que Adeus nunca existiu no meu vocabulário, nas minhas palavras, na minha mente, pelo menos para ti. E agora este Adeus escondido vive e mim, no silencio. "
sábado, 11 de dezembro de 2010
Não vás embora
"Não vás embora. Fica comigo. Aqui ao meu lado. Não feches essa porte, não negues o que é nosso e o troques por uma ilusão. Não partas assim o meu coração ferido.
Fica por mim, por nós. Fica por tudo o que já vivemos e pelo que nos falta ainda viver. Não me deixes aqui sozinha. Eu não sou capaz. Não consigo. Preciso de ti, agora, sempre, para sempre. Não digas adeus, eu sei que talvez mereça, mas pensa antes, ouve o teu coração. Eu sei que ele chama por mim. E quando fechares a porta pensa que eu ainda estou do outro lado. A morrer por ti"
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Talvez já chegue
"Já chegue talvez de te procurar em cada esquina, em cada beco, em cada curva. Em cada sombra que me aparece há frente. Eu sei que não voltas mais, foste e pronto. Eu quero acreditar que talvez ainda voltes, mas eu no fundo sei que não, que partis-te sem olhar para trás, sem pensar em mim mais, sem mesmo voltares a perguntar por mim.
Queria procurar-te para te dizer, para te contar o que escondo, mas sei que de nada valerá, nada farás, vais seguir em frente, sem pensares em mim. Sem se quer perguntares como estou. Tu és assim, como o vento, como as aves de Outono, vais e voltas para me fazer lembrar que ainda existes. Seria melhor se fosses para sempre, ao menos não teria de lembrar-me de esquecer outra vez. Vivo a lembrar-te, para te aprender a esquecer."
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Vem aí o Natal
"Vem, sem medos, em pezinhos de lã graciosos e silenciosos para não se ouvir chegar. Traz no ar o cheiro das filhoses e das rabanadas, do bacalhau e do peru. Traz também a certeza e a incerteza, o medo e a esperança, o calor e o frio, mas traz essencialmente o amor.
Traz no ar o amor do aconchego, traz o pedido do coração frio. Vêem também as lembranças e as recordações, a tristeza de saber que passa mais um, e a incerteza que não estás aqui mais. Vejo os laços, e os embrulhos, os presentes trocados, dados, de grande ou pouco valor, com amor ou sem ele.
Sento-me no chão penso em ti, no teu sorriso, na tua alegria, no teu olhar. O que peço? Ter-te de volta, por um momento, só, por um momento para mim. Abraçar-te no silencio da meia noite. E quando desse as 12 badaladas desejar-te «Feliz Natal»."
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Está a chover

"Já viste?! Está a chover, uma chuva prateada, carregada de sonhos e desejos. Já viste? quanto bela é, quanto podemos ir para de baixo dela e deitarmos-nos a sentir ela a cair em nós. Que felicidade. Já viste?
Vamos ficar aqui, está bem? Vamos sentir esta chuva para que nunca se acabe, vamos dançar e cantar, vamos viver outra vez. Queria isto tudo. Queria aquela tarde de chuva prateada, em que tudo para nós mudou. Já viste o quanto o tempo voltou atrás, não dois, nem três, mas sim 10 anos. É se tudo para nós tivesse outro significado. É como se esta chuva prateada existi-se para sempre.
Já viste, crescemos e esquecemos a chuva prateada e a beleza da infância. esquecemos também aquele dia."
domingo, 5 de dezembro de 2010
Hoje é assim e amanha?
"Hoje estamos bem, e amanha? Não me interessa, prefiro não pensar, ignorar esse deleito da alma, essa questão sem resposta, esse futuro imprevisto e indeciso. Só hoje importa e estamos bem. Somos assim, e estamos bem. Não bem, mas muito bem. Gosto de me aconchegar no teu sorriso e sentir os teus lábios a tocar os meus num beijo desafogado, gostei da tua maneira carinhosa de dizer "tinha saudades tuas", arrepie-me, senti-me grande, bem, feliz. É de momentos destes que o meu coração vive, para ti."
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Hoje talvez
"Compreendi que mais nada existe para fazer, que o tempo é uma desperdício, que as tentativas foram frustradas. Que não vale a pena seguir, tentar novamente. Que eu não passo de um estorvo, um grande estorvo. Só sirvo para as horas vagas, para aquelas que não tens ninguém, para aquelas que precisas de alguém e sabes que estou aqui. Fartei-me de estar aqui, sem ter aqui que esteja para mim."
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Não me querias?
As minhas duvidas, receios e esperanças, as minhas mágoas, feridas e comichões. A mania que eu tenho de queres tudo há minha maneira, a mania que eu tenho de fazer birrinha e chorar para ter o que quero!
Pela maneira que as vezes berro quando me chateiam de mais, pelos sorrisos que já nem escondo para ti porque sabes que eu para ti não sei fingir.
Tens de aceitar, que eu acordo e gosto de miminhos, que gosto que te preocupes comigo e me faças as vontades. Que digas que gostas de mim várias vezes para eu saber. Não gostas de mim? Tens de me aceitar, com a mania chata que eu tenho de falar mal de quem eu não gosto, de ser irónica e sarcástica.
Pelo mal que tenho de perdoar facilmente que não devo, pela imaginação e pelo dever, pela perseverança do que tenho, das duvidas que por vezes sinto e da dor. Afinal não me querias? Tens de me aceitar"
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