domingo, 9 de dezembro de 2012

Destino




Ele olhou à volta á procura dela no meio dos amigos, aquele era o momento perfeito, ele sentia-o e sabia-o dentro de si que era perfeito. 
Assim que o olhar cruzou o dela, chamou-a, ela estava linda um sorriso simples e sincero carregado de mais qualquer coisa. Ela caminhou para ele, sempre com aquele sorriso no rosto, o tempo parecia não querer passar, os segundos estavam a transformar-se em minutos. 
Quando ela chegou ao pé dele, ele encostou-se a ela, colocou suavemente a mão na cintura dela e quanto com a outra punha o braço dela à volta do pescoço dele. Parecia que ela aceitava o gesto e deixou-se embalar junto do corpo dele, num balanço positivo doce de corpo com corpo. A sala estava cheia, mas parecia que de repente tudo se tinha calado, que só eram eles os dois. Ela encostou a cara no pescoço dele e podia sentir a respiração dela acelerada no seu maxilar. A melodia era conhecida e por isso, sussurrava no ouvido dela as palavras da canção...Ela simplesmente balançava ao ritmo dele e deixava ele guia-la, que mais podia mexer naquele momento? 
Tudo era perfeito, ele, ela e eles a dançarem juntos. A musica quase que terminava e ele não queria, ele não queria descolar-se dela sem uma certeza, a certeza que ele precisava mais que tudo. A certeza que era tudo o que ele ambicionava havia dias. Em quando a musica terminava e dava os últimos acordes ele colou os lábios aos dela beijando-a suavemente sem pressa. Com algumas caricias no cabelo puxou lentamente a cabeça dela para trás...olhando-a nos olhos perguntou aquilo que o coração dele à muito pedia...Aquilo que lhe pairava na mente sempre que a via ao longe, ou quando estava com ela. "Queres ser minha namorada?"...A pergunta não precisou de uma resposta, os olhos dela brilharam e encostou os lábios ao dele sussurrando para a sua alma um doce "sim"

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ele veio



Ele veio do nada escondido numa sombra da noite.
Ele trouxe o sorriso e a inocência que eu precisava
Ele trouxe a vontade de tentar ser mais
Ele trouxe o querer um abraço sem pedir
Ele trocou os pesadelos por sonhos
Ele trocou a solidão pela sua imensa presença
Ele trocou a vontade de ir e estar ali
Ele trouxe a vontade de viver

Ele veio do nada sem pedir, trouxe um sentido, trouxe aquilo que desisti à muito tempo, a perda do sono, os sorrisos parvos e sinceros, a realidade, a esperaça...Ele tornou-se o muito em pouco tempo. 

Trouxe ainda o meu sorriso de volta....

Obrigado 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Não é eterno




O sorriso dele estava lá, o dela também. Como se se compreendem-se simplesmente um no outro, como se nada importa-se mais que tudo aquilo que agora tinham. 
Mas ela tinha medo, ela tinha medo que o amanha leva-se tudo, ela tinha medo que o tempo prega-se mais uma partida ao seu coração. Ela tinha medo que ele se fosse.....

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ele aproxima-se





O olhar foi trocado por breves instantes, lá estava ele, ao fundo, iluminado pela luz da entrada que reflectia o olhar dele. Ele olhava para ela, sem ela saber que era observada. Ele gostava da maneira que ela sorria, da maneira que ela brincava com ele. Ganhou coragem e foi ter com ela. Lá estava ela, apetecia-lhe abraça-la e depositar nela os beijos que o olhar mostrava que lhe faltavam. Mas não podia, sabia que ainda não. Ainda não tinha ganho esse direito de o fazer.
Chegou-se perto dela e abraçou-a por trás, como se aquilo fosse natural, ela assustou-se mas riu-se para ele, não reclamou e era bom sinal. Largou-a e deu-lhe um doce beijo na cara. agarrou-lhe a mão e apertou. Ela sorriu para ele e apertou-a também. 
O coração dela batia a mil, ela gostava da maneira que ele a tratava, mas também gostava da maneira que dele brincalhona e cuidadosa. O tempo mostraria se o futuro seria bom para eles.
Para já aquele toque nas mãos e o sorriso bastavam. 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Fim de um tunel



O caminho mostrou-se tantas vezes espinhoso e duro, a terra teimava em ter buracos e pedras onde caía desamparada e sem nexo. O túnel esse onde me tinham enfiado à força teimava em não terminar, continuava com esperança que alguém ouvisse o meu grito mudo naquele buraco sem fim, tinha esperança que no final estava uma boa saída para a claridade e a certeza. Sentia-me cansada, sentia-me prestes a desistir, a sentar-me e a esperar que a morte me levasse de vês, outras vezes a ideia de acabar comigo era maior do que qualquer tentativa mais para chegar ao fim. Só assim eu chegaria ao fim. Só assim acabaria o túnel. 
Quando alguém sem querer me deu um chave e disse existe ali à frente uma porta, és livre agora. 
Mas com a chave a mão, com a porta à minha frente, sentia um medo inexplicável, foi tanto tempo enfiada naquele buraco que duvidava que alguma vez soubesse viver além daquelas paredes e daquela terra e pedras. 
O fim do túnel podia não estar longe, mas a porta de saída estava ali à minha frente, bastava abri-la. Tinha medo, tinha medo de sair de novo do túnel e tinha medo do que estava do outro lado. Até que decide que aquele túnel teria de terminar para mim, porque se continuasse enfiada nele continuaria a alimentar o túnel do medo e ele nunca mais me deixaria sair.
Se foi o meu medo que criou aquele túnel onde me enfiei, seria agora a coragem que me faria abrir a porta e superar o que estava do outro lado.

sábado, 13 de outubro de 2012

O tempo




Por momentos tudo parecia inalterável, o tempo permanecia igual, o vento mantinha-se suave e quente, a idade não deslizava na cronologia da vida. Era uma idade soberba mas ao mesmo tempo a melhor. Quando abriu os olhos afinal estava tudo mal, o tempo voara pela janela, o vento estava raivoso, frio e agreste, a idade tinha avançado tão rápido como a luz. 
O passado já não voltava, estava lá atrás parado numa brisa soalheira de Verão, à espera que a tempestade que se instalara naquele momento se fosse embora e regressa-se numa outra vida, outra ocasião. 
O tempo teimava em cobrar tudo, a esperança, os sonhos, as amizades, as aventuras e até o amor. Esse ficaria perdido numa nuvem cinzenta. Do passado apenas restava um par de cicatrizes fundas, um punhado de rugas do passado e um sorriso roubado à força da infelicidade. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O meu buraco.



Nunca pensei ver-me assim nesta situação. Aos poucos saiu dela...mas aos poucochinho com algum medo de voltar cá para fora. Olhando para trás tenho medo do que vi, medo do que senti, medo de onde cheguei.
Houve momentos que pensei que simplesmente seria melhor acabar tudo, escorregar pelo buraco abaixo para esquecer tudo e meter um fim em tudo aquilo que eu estava a viver. 
Tive medo até de mim, da minha personalidade, da minha própria consciência. Tanto conseguia estar "bem", ser racional, e controlar os meus impulsos como 5 minutos depois estava a disparatar, estava a manda sms acusadoras e carregas de ódio e veneno. 
A minha personalidade transformava-se em segundos, sentia-me à beira de um abismo e que estava sempre prestes a saltar. Vivia bem e mal, vivia entre o ódio e a tristeza, entre a insanidade e a sanidade. 
Não me conhecia, tinha medo do que via, tinha medo de mim própria. Cheguei a um ponto que achei que se desaparece-se ninguém iria dar conta. O mesmo pensamento até se mantêm em mim ainda hoje. 

Um muro voltei a erguer entre mim e as pessoas que convivem comigo todos os dias, sorriu, gracejo e entro em conversas, nunca roçando a minha pessoa nem o mundo à volta que eu quero afastar de mim. Ninguém sabe que estou num buraco onde apenas uma mão me mantêm agarrada. Uma mão que insiste em não me soltar e me obriga a estar ali pendurada, muitas vezes com o meu apoio, outras vezes sem ele.

Sorriu...mas ninguém sabe que dentro do meu pensamento só existe uma ideia...Um plano que conjumino à muito tempo, um plano que já esteve mais longe de o realizar. Porque quando nós entramos no buraco, dificilmente se de lá sai. 

domingo, 23 de setembro de 2012

Onde está o amor?




Onde está o amor?
Não sei onde se escondeu.
Será que alguma vez existiu se quer?!
Onde está então?

Desapareceu, ou talvez esteja adormecido. Se calhar acabou, mudou de rumo, saltou para outro lado. Morreu como o calor de Verão, com as flores da Primavera, caiu como a folha do Outono e vai-se derreter como a neve do Inverno. 

Não estou triste, não posso ficar triste por algo que me fazia sofrer tanto ter desaparecido. Prefiro assim...
Pedra, gelo, geada, vento...Inverno. Não estou triste, não estou feliz, estou e pronto.
Talvez amanha o tempo mude para um sol de felicidade. Não temerei mais nenhuma tempestade. Não quero mais amar. Se é que alguma vez amei.
O amor....?
Deu a capacidade a alguém de me destruir. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A casa do Norte


Capitulo II



A verdade I

Acordei na manha seguinte com o sol a bater na janela. Apesar da prussiana fechada os raios entravam pelos buraquinhos que eu tinha deixado na noite anterior para o quarto não ficar tão escuro, reflectiam-se no espelho e batiam-me nos olhos. Pensei já serem quase umas 10 horas pela claridade, mas quando me voltei para o pequeno despertador amarelo que a minha avó me tinha dado, reparei que apenas eram 8:30.
Como sono me tinha passado, levantei-me num pulo e abri a janela. O sol quase me encadeou a vista de tão forte que estava, iria ser um dia de bastante calor. Vesti uns calções de ganga e um top simples amarelo, calcei os meus ténis da Adidas que já estavam esfarrapados e fui tomar o pequeno almoço. Quando cheguei à cozinha já a minha avó estava a preparar o pequeno almoço, sentei-me à mesa e enchi a tigela com leite morno e cereais dos meus favoritos de chocolate.
Em quanto comia perguntei à minha avó pelo irmão, pensei que ainda estivesse na cama. Ela porém disse que ele já tinha saído manha cedo. 
Acabei de comer, levantei a tigela e sai para a rua. Estava um calor abrasador, parecia um inferno. Como ainda era cedo pensei dar um salto até ao lameiro a ver se a minha amiga de infância a Julia ainda lá estava com as cabras. 
Em quanto desci-a o carreiro ia vendo o que tinha mudado, o que não era muito. Parecia tudo parado no tempo, o feno alto estava parado, nem uma brisa corria. Desci pelo caminho e logo de cima do calhau vi as cabras no lameiro a pastar. Algumas estavam já deitadas à sombra. Não quis chamar pela Julia para lhe pregar um susto, quando cheguei ao lameiro, varri com os olhos o espaço e vi de baixo da árvore algo vermelho, pé ante pé aproximei-me e sustive a respiração. Quando cheguei ao pé vi que não era a Julia mas o irmão o Cristiano. Não mudei o plano, aproximei-me dele e abanei-o de tal maneira que ele desatou a fugir lameiro abaixo em direcção ao ribeiro. Quase caia lá dentro de tão assustado que estava, em quanto eu me ria alto e bom som. Quando ele olhou para trás e viu que era eu voltou para a cima a correr para se vingar. Fugi dele em direcção à ponte do ribeiro mas o chibo dele colocou-se entre nós e quase nos levava atrás também. Fugimos os dois então lameiro acima para dentro da mata para subir a um pinheiro para ele não nos apanhar. Em quanto o chibo se acercava do pinheiro nós os dois sentados em ramos diferentes riamos-nos como não nos riamos à tanto tempo



quinta-feira, 26 de julho de 2012

A noite já não pode ser escura








O sol já se pôs e não vejo mais a luz. Em breve tudo ficará escuro como o meu coração. A hora de dormir aproxima-se e eu terei de fechar os olhos novamente. Desejo não acordar, desejo adormecer para sempre e   viver dentro de um sonho meu. Um sonho bonito daqueles que à muito eu não tenho. 
O negrume consome a alma e não me deixa dormir. Já não amo a noite, tenho medo dela. Tenho medo dos fantasmas e dos monstros que vivem de baixo da cama. 
Acendo a luz que marca a presença de algo, a presença daquilo que quero afugentar. O medo...O medo permanece no meu coração. Oiço ao longe um coração a bater, galopando na dor. Não é um coração qualquer é o meu, que tem medo de adormecer e sonhar com novamente com o mesmo. 
Tento não fechar os olhos, mas muitas vezes já não dá. Eles vão se fechar...
Em breve irei acordar a suar, a chorar e com medo. Em breve voltarei a ter de acender a pequena luz que se apagou sozinha.
Todas as noites são assim...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A mudança




Não era real, as palavras escritas com tamanha precisão, não podia ser real. A realidade não podia ser tão dura, não podia. De repente tudo ficou desfocado, senti tudo à volta à roda, como se tivesse levado uma pancada na cabeça. O coração batia tão depressa que parecia que me saltava quase do peito que quase me fazia vomitar. 
As lágrimas já me escorriam pela cara pela verdade escondida naquelas palavras. Dei hipóteses, talvez mil hipóteses nunca a realidade de tudo, nunca a verdade do que ali estava escrito. Mas aquela era a verdade, só podia ser a verdade.
De repente, mais que nunca, mais que que qualquer certeza senti-me sozinha, um ponto minúsculo em frente a uma ecrã que me roubava tudo, o chão, as certezas e talvez mais um pouco da vida.
Depois?
Depois eu soube que aquele tinha sido o momento mais importante e o momento mais decisivo. Eu não podia continuar a ser quem era. Quem eu era morreu à quase um ano atrás numa praia de areia branca, água azul e um turbilhão de mágoa. 

domingo, 20 de maio de 2012

O nosso lugar




Deito a cabeça no teu peito e sinto o bater acelerado do teu coração, ele grita por mim, chama-me em cada golfada de ar fresco e novo. Chama o meu nome em cada batimento pulsado pelo seu motor natural.
Encosto os meus lábios nos teus e deixo sentir o sabor a mel e sal, o doce sabor que ainda preenche os meus dias de certezas incerta. 
Toco-te e parece tudo tão irreal, tão bom. Tenho um medo que me aperta o peito, um medo que nasce na garganta e sobe até ao coração, um medo que vive em mim só de olhar para ti e para nós e saber que amanha pode não existir mais. 
Aninho-me em ti e sinto o prazer de te tocar, de te sentir colado ao meu corpo. Para mim tudo isso é perfeito. E tudo isso chega. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Fim de tade



Toco com as pontas dos dedos, sinto a realidade chapada na minha frente a gritar por mim como uma onda de eco. Sinto o coração acelerado e o toque das tuas mãos em mim. A saudade, ai essa vil e cruel palavra não parece ter significado no calor libertado pelos nossos corpos, pelo sorriso solto dos nossos lábios. 
Traço o contorno do teu lábio superior devagar, sem pressa de o tocar todo, repetirei este gesto mil vezes até ter decorado no meu pensamento esse traço suave que tantas vezes beijei. 
Toco a barba de alguns dias por fazer, raspo com os dedos os pelos ásperos e pontiagudos que me picam a carne que lhe dou. Acelera o meu pulso com o medo do que vem depois. E rimo-nos como se aquilo fosse natural, normal, uma tarde como tantas aquelas que perdemos antigamente. 
Hoje não preciso de mais nada. Só de ti e de nós naquele espaço a sentirmos-nos um ao outro.
O tempo lá fora escurece, será uma nuvem passageira, um cair de tarde normal, ou será o céu a dar-nos a escuridão que precisamos os dois. 
Hoje não existirá tempo para arrependimentos, nem tempo se quer para palavras. Existirá o olhar, o riso e os toques ligeiros, com medo e brincadeira. Escurece e talvez o tempo já fuja pela rua abaixo com pressa de nos ver separar. Os nossos lábios tocam-se.
 E o mundo pára.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Já não acredito




O tempo passa por ela como se o relógio ganha-se outro andamento. Os minutos transformam-se em horas submersas na noite escura. Tic Tac Tic Tac...O que se passará, o que haverá além do tempo que apaga as pegadas do caminho feito até então.
O tempo passa, tão depressa. Ela sente na mão a fraqueza do incerto, o medo do amanha e tudo o que vem depois, se consegui-se parar o relógio naquele momento. Fazer um "stand by" na sua vida. Não, não era pelo momento, era só para não ter de avançar mais. Não estava feliz, mas estava confortável. Não precisava de mais nada, aprendeu a viver com isso dia após dia. 


Tic Tac....Pára relógio, pára por favor. Não avances mais nesta agonia surda. Fica aí parado nesse eterno minuto esquecido. Apaga o passado, e o futuro. Fica só este presente parado neste minuto. Neste minuto eterno. 
Ela respira fundo e não houve mais o Tic Tac incessante do relógio. Não houve nada se quer. E nesse momento ela percebe que morreu.


Tic Tac Tic Tac

quarta-feira, 21 de março de 2012

O sonho




Senti-me novamente em casa ali, lá estava a minha vista favorita, e lá estávamos nós os dois naquele sitio mágico. Era como se tudo ainda fosse um pouco de perfeição agora. Eu sentia-me em casa, sentia-me confortada, e bem.  Sentia-me viva contigo ali ao meu lado. Passeamos pelos nossos sítios conhecidos e sentamos-nos algures a comer um crepe com chocolate. Não era perfeito não. Era a perfeição a limar as arestas da imagem que eu construía mentalmente para mim.
Ao longe via a torre tão alta e poderosa, a fazer-nos sombra como se adivinha-se um futuro previsível aos meus olhos. E nós estávamos ali à sombra dela. Eu queria fugir para o sol. E tu querias ir para de baixo dela. 
Acordei...Era só mais um sonho, para fugir dos que tenho tido sempre.
Mas eu sei que um dia, voltaremos aquele lugar. Os dois...e sei que a sombra vai desaparecer.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Queria te tocar




Queria te tocar, estavas ali tão perto de mim, ao meu lado naquele instante. Parecia irreal, parecia normal até, uma coisa inexplicável, como se tudo fosse como antes. Havia diferenças mínimas, talvez só quem repara-se como eu nos mínimos pormenores. Havia uma barreira invisível entre os dois, uma parede de sentimentos perdidos e tentados esquecer à pressa do encontro antes de se quer estarmos perto.
Falávamos, mas não um com o outro, falávamos para o grupo, uns com os outros mas nunca um com o outro. Olhei para a tua mão em cima da mesa, perto da minha como se algo me atraísse para ela.  Respirei fundo e tentei concentrar a minha cabeça na conversa para não fazer algo que me arrepende-se, contive os desejos absurdos e a vontade de abraçar, contive também às vezes as lágrimas. Só não consegui conter a vontade dos pensamentos que se soltavam de mim e eram unicamente dirigidos a ti. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Hoje sei sorrir




Solto os lábios como se fosse uma coisa nova para mim, sinto algo a crescer no peito, não é grande é pequenino tão pequenino que não se pode ver sem microscópio. Mas está lá, existe e eu sinto aqui dentro.
Ás vezes dá sinais de si, outras vezes parece que não está lá. Deixa-me sempre na duvida se foi ilusão ou se senti mesmo aquilo aqui dentro. 
Sinto a subir por mim como um pontinho de luz minúsculo que está no fundo. Passa pelo coração e sobe até à boca. Faz os lábios separarem-se e mostrar aquilo que à tanto tempo eu já tinha escondido. 
Sobe aos olhos e acende aquela luz que estava à tanto tempo perdida.
Ainda sei sorrir, ainda consigo acreditar que existe aquela luzinha minúscula de vida dentro de mim. Mas tenho medo que seja só uma falsa ilusão. 

sábado, 10 de março de 2012

No momento




Ali estava eu parada naquela imensa confusão de pessoas, perdida entre risos, línguas e canções, perdida. Vejo e revejo cada minuto ali, quero sorrir, quero abstrair-me à aquela alegria, quero entrar naquele mundo de musicas e danças e não consigo. Sinto-me presa chão, as lágrimas toldam-me a vista, sinto a crescer em mim um impulso negativo, tento fugir, tento que não me vejam e revejo mentalmente qualquer coisa boa para fugir daquele sentimento.
Alguém pergunta "estás bem"...Digo que sim fugazmente e viro a cara para não verem os olhos já brilhantes das lágrimas que me teimam em cair pela face. 
Escondo-me além naquele cantinho escuro onde ninguém me veja, sento-me no chão e deixo aquele sentimento tomar conta de mim, ninguém me vê, quem me conhece finge que não estou, quem eu julgo meu amigo ignora a minha falta. 
Afinal que estou eu ali a fazer?

quinta-feira, 8 de março de 2012

Preciso de me sentir eu outra vez





Preciso de acreditar em mim, na minha força, na minha vontade e certeza, na realidade do presente. De confiar em mim e nos meus sonhos, na minha vida escondida à tanto tempo.
Preciso de me renovar, renascer numa pessoa que perdi à tanto tempo. Preciso de sonhar, de ter sonhos novos e os tentar construir, de ambicionar por um futuro certo. 
Preciso de sorrir de me ver nos espelho e sentir que sou eu e não uma amostra de uma coisa que perdi. De voar tão alto quanto puder, de ter o limite apenas o céu. Quero acreditar nas pequenas coisas do dia, de me ver e deixar os outros ver a verdadeira pessoa que sou por dentro. De me julgar e começar a idealizar um caminho.
De sentir aquelas borboletas nos estômago, as mãos a tremer, a voz a falar a cada palavra. De olhar alguém e ser capaz de voltar a dar a minha vida por ele. 
Eu preciso de voltar a ser...Feliz

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Novo dia




"Já vais?" pergunta ela ensonada ainda. Era de manha cedo, era um dia igual a tantos outros dias iguais. Lá estava ele de pé, novamente. Ia embora, ela tentou aninhar-se nos lençóis novamente e adormecer, sentiu-me a  andar pelo quarto, devia estar a apanhar a roupa por ali espalhada na ânsia da noite anterior. Abri-o um olho para ver o que ele estava a fazer e viu-lhe as costas sentado talvez a apertar as calças. Tocou-lhe no braço e ele voltou-se instantaneamente: "Não dormes?"....pergunta ele admirado, ainda à instantes ela estava adormecida tão profundamente que metia inveja. 
Não queria pensar nas ultimas noites com ela, deitada naquela cama longe de tudo e de todos. Mas queria saber o que tanta vez a fazia mexer-se e chorar durante a noite. Que pesadelos eram aqueles que ela albergava  durante o sono? 
Sabia que ela não era feliz, sabia que ela não era quem ele conhecia. Mas sabia que dentro dela existia algo mau que ela escondia como se a vida dela dependesse disso. 
Apesar de tudo ele adorava. E estar com ela era tudo o que podia desejar. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um anjo




"Não sei o que me passou pela cabeça, estava ali e de repente tudo se tinha apagado, tudo escuro frio, ouvia vozes a chamar o meu nome mas não as reconhecia, sentia-me longe de tudo, e estava tudo tão escuro. Queria falar e não conseguia, queria abrir os olhos e também não conseguia. Ouvi-a aquelas vozes tão longe, a perder-se num mar de escuridão dentro de mim. Depois acordei...
Onde estava? Era tudo branco, poderia ser o céu? Não o céu não podia ter aquele cheiro. Sempre imaginei o céu como um lugar muito branco tipo a neve, com um doce cheiro de perfume floral, o meu preferido. Aquele cheiro era intenso, forte, quase anestésico. Estava deitada. Olhei para o lado e percebi onde estava. Em nada se compara ao céu, mas é uma das "portas". 
Tentei lembrar-me porque ali estava e estava tudo muito baralhado e confuso na minha cabeça, como se nada fizesse sentido. Fechei os olhos e senti alguém a entrar naquela sala, a parar ao pé de mim, e a falar, estava com mais alguém. Ouvi a voz e não a reconheci. As palavras foram a chave para toda a solução. Foram a certeza do que se tinha passado e a certeza que mais uma vez falhei. Mas estas palavras fizeram-me acreditar que "ele" ainda lá está a olhar por mim: "Ela teve sorte, tem um bom anjo da guarda"...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Decisões de uma vida...



As decisões tomam conta do coração como se de medo se trata-se, rumam a nossa vida ao infinito e tornam por vezes a vida numa confusão ou simplesmente simplificam. Não existe decisão certa ou errada, existe simplesmente uma decisão. O que levará ao mau ou bom da vida. 
Todos os dias decidimos coisas, simples, como o que usar, o que comer, o que escrever num teste ou num trabalho. Mas existem decisões complicadas, decisões que podem mudar tudo o que conhecemos à nossa volta, decisões que nos podem limitar a uma felicidade absoluta ou a uma tristeza profunda. 
Hoje talvez tenha tomado uma decisão, daquelas que mudam a nossa vida. Não sei se positiva ou negativa, mas uma decisão que mudará muita coisa, mudará o rumo, a história, a verdade...O que conheço hoje para o desconhecido do amanha. Tenho medo? Muito medo, estarei pronta? Não sei, Será melhor? Só o futuro dirá. Uma decisão que me desfaz por dentro e me corrói a alma em buracos. Destrói a minha realidade, destrói os meus sonhos...
Decisões

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pesadelo




Mais uma noite em branco, cada lágrima que me corria pela face era uma incerteza, uma imagem translucida como se sempre ali estivesse comigo. Os pesadelos foram sucessivos, impregnados de imagens que me atormentam a alma. O coração batia tão forte como se fosse real, e ali estava eu na minha cama, no escuro a visualizar o que não queria, a perguntar por momentos se era possível de ser verdade, e por momentos duvidava e respirava fundo, mas a verdade vinha ao cimo, a verdade era respirado pelo um ar pesado e denotava a exactidão do sonho. Foi real, era real...E era como se cada imagem destruísse parte dos meus sonhos, da minha vida e da minha realidade, como se fosse possível destruir parte de mim. Afinal eu ainda era parte, e essa parte foi arrancada à força bruta das imagens.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ali morri...




Ali deixei morrer qualquer amor que nutria, qualquer sentimento vago que julguei possuir. Aniquilei os sentimentos e transformei-os em realidade fria. Enterrei o meu coração naquela areia branca salgada pelo mar mediterrâneo e jurei que ali ficaria para todo o sempre.
Agora? Agora sinto um frio no peito, um buraco fundo no coração, um buraco sem coração que exista. Sinto que deixei lá tudo. As lágrimas, o sofrimento, o medo, a solidão. Voltei dormente, como se não senti-se mais nada. Nem quero sentir mais...
Os sentimentos estão frios, nulos, apagados...despidos de qualquer lembrança boa. Agora vivo...Não pelo amor, nem para amar. Vivo como uma pedra, sem sentimentos, sem vontade de amar, sem querer nunca mais amar. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Aquela paz




No momento que eles se tocaram, sem mais nada a impedir, nem um empurrão, nem um um desviar, no momento que se sentiram colados, afogados um no outro como se o dia seguinte não existisse foi como se tudo tivesse parado, como se cada coisa tivesse num lugar diferente, como se não houvesse mais ninguém. 
O momento marcou aquele para sempre que já existia antes. O momento traçou a meta que ali se quebrava por estarem outra vez nos braços um do outro. Não houve certezas, não houve medos, nem mais esperanças vãs. Houve sonhos, também houve conquistas e vitórias. Pela mente passaram meses e anos de recordações grandiosas, passaram sorrisos, brincadeiras, aventuras. E era para sempre....