quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um brinde à tristeza



O céu estava alto nesse dia. Ouvia os risos, perfeitamente dentro de mim. Um desconforto no peito, um mau estar que me provocava o coração. "É impressão tua". Não descolava os olhos do telemóvel. Algo estava mal. "Diverte-te".
Tentei ignorar o latejar, enchi mais um copo, saudei o ano que se acabava. Dancei, saltei...Era quase meia noite. Faltavam meros minutos. 
As doze passas na mão, o copo de champanhe na outra, contagem 5, 4, 3, 2, 1...."Feliz ano novo" Brindes, desejos pedidos. Tudo em ordem....
Voltamos para dentro, estava frio na rua. Cantamos, dançamos. O telemóvel toca, eram eles de certeza para desejar um bom ano. Lá já tinham festejado há uma hora atrás.
"Estou...Bom ano queridos"
"Estou Lúcia, Bom ano. Olha ele está no hospital, teve um acidente grave"


O que?
Não podia ser...Como podia. Era impossível.


O meu mundo desmoronou naquele segundo, senti-me a andar a roda, chorava sem ter dado conta. Estava gelada, por dentro. Sentia-me presa ao chão, como se as minhas pernas pesassem 100 kilos cada uma. Neguei, não podia ser. Como podia, o meu mano, o meu irmão. Porque ele?
Porque a melhor pessoa do mundo. Porque?
E ainda hoje eu pergunto
Porque?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Vivi assim



Foi assim que vivi, durante 5 anos contigo, entre as lágrimas, e a solidão, entre a incerteza e o sofrimento. Foi preciso quase não falar, a voz falhar-me entre as lágrimas que rolavam pela cara, foi preciso o sufoco não me deixar falar, e o coração quase parar pela angustia. Fiz tanto e tive tão pouco, senti tão pouco, vivi tão pouco. Gritei por alguém que nunca me ouviu, chamei por alguém que sempre esteve surdo para mim, e agora vejo que foram 5 anos para fora. Foram 5 anos que se perderam entre as brumas de uma memória. Era-mos felizes em momentos nossos, eu era triste em todos os outros. Tanta vez quis falar, quis dizer-te e não consegui. Eu era só mais um grão na tua vida imensa. E esse grão acabou por partir, com o vento, levado pelo coração, partido. Magoado, traído e triste. E agora no ar ficar a pergunta. Porque?

domingo, 26 de dezembro de 2010

Foi um sonho, mais um


"A lareira estava tão quentinha, tão quetinha como o teu abraço, enrolamos-nos um no outro e ficamos a ver o crepitar do fogo que se extinguia em cada estalo. O mundo já tinha parado outra vez e mostrou-nos o quanto é bom sermos assim, o quanto é bom estarmos assim. Senti-me protegida entre ti e o teu abraço forte, senti-me amada, acarinhada. Soltei um suspiro de ternura, de encanto, de nostalgia, afinal há quanto tempo não me sentia assim. Senti a tua respiração no meu pescoço, como era bom sentir-me assim perto de ti, da tua vida. Disseste que ainda me amavas como sempre amas-te, disseste que querias ficar comigo para sempre, e eu aceitei isso como um futuro. Quis-te olhar nos olhos e dizer-te que eu também sentia isso tudo. E quando olhei para trás rebolei na cama, e vi que afinal tudo não passava de um mero sonho. Só em sonhos...."

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ele já chegou



"Veio em tão pézinhos de lã que nem se deu conta, não entrou pela chaminé, nem pela porta, muito menos pela janela. Não sabemos por onde veio, mas já chegou, trouxe com ele, os cheiros, as cores, as luzes, a alegria. Trouxe também a saudade, a união, a fraternidade. Como não demos conta dele? Afinal não é assim tão pequeno que não se note, nem tão grande que o percamos de vista. Mas ele chegou, e veio mesmo rápido. Quando demos conta já aqui estava, e soubemos que estava mesmo perto, ali ao lado. 
Eu sei que não queria que ele chega-se por um lado, sinto-me um pouco vazia, sem aquele calor no coração, sem aquela coisinha boa que cresce no peito todos os outros anos. Acho que não me preparei para ele e agora sinto-me triste por isso. Afinal ele veio aqui para ficar pelo menos uns diazinhos. 
Apetecia-me fugir dele, mas sei que não posso, ele está em todo lado. Não o odeio, o ódio é uma coisa tão feia. Simplesmente ele deixa-me triste.
Mas ele já chegou. O Natal"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dei-te a mão




"Estendi-te a mão e nem lhe tocaste, fingiste que nem ali estava, viras-te o olhar para o fundo sem perceberes que o meu chamava por ti. Faltaste-me quando eu gritei, tapas-te os ouvidos para não me ouvires de longe. Ignoras-te as minhas lágrimas, as minhas feridas por ti abertas. Negas-te que fosse por ti este sofrimento, quiseste que eu fica-se sozinha na penumbra para não teres de me olhar quando eu precisava de ti.
Tanta vez te pedi para olhares para mim, para desceres desse pedestal onde te puseste e visses que afinal eu estava ali, magoada, ferida, sem se quer saber porque. Mas esse teu mundo era e sempre foi superior a mim. Essa tua sede de egocentrismo sempre te cegou perante o que eu estava a pensar. 
Agora vês que o mundo não és tu, nem está em ti, mas sim tu no mundo. Foi preciso o teu mundo cair há tua volta para tu dares conta que o mundo que crias-te para ti não era mais que um produto da tua imaginação, que o teu mundo era eu, e que esse mundo tu o tinhas destruído, magoado, martirizado, com esse teu olhar gelado que me deitavas quando o meu suplicava que ficasses comigo. Sentes-te sozinho? Eu também me senti, e tu nunca te deste conta"

domingo, 19 de dezembro de 2010

Surgiu o amor


"Foste embora e nem olhas-te mais para mim, negas-te o meu olhar, sem se quer ver o que ele te dizia. Lembras-te daquele dia? Eu lembro-me bem. É como se tivesse a vive-lo a agora. Eu e tu, ali no nosso sitio, olhamos um para o outro e sorrimos, e foi mesmo bom o que sentimos. Era diferente, não precisávamos de mais nada, nunca houve beijos, nem abraços, naquele momento, só as mãos se tocavam, e os olhares, esses beijavam o silencio que existia para nós. O mundo, o nosso mundo tinha parado. Palavras talvez nem existissem na nossa cabeça. Era tudo muito diferente, era tudo perfeito. 
Sentia o estômago ás voltas, como se tivesse mil borboletas lá, e descobri que isso era bom, uma sensação que nunca tinha sentido, sentia o cérebro vazio, como se tudo o que tinha pensado tivesse sumido para sempre. Sentia as mãos a tremer, ou seria impressão minhas? Sentia que tudo era bom, e que não precisava de mais. Lembras-te desse momento? 
Eu nunca o esquecerei, foi o primeiro e o único. Nesse dia descobri o amor"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um dia ainda te vou dizer



"Um dia ainda te vou dizer o que tanto tempo te escondi. Vou confessar-te o que tive medo de te dizer daquela vez. Vou conseguir ter coragem para contar a verdade que teimo em esconder. Não basta o teu olhar através da multidão, ele crucifica-me o coração, faz-me doer. Não quero mais negar este sentimento sempre que te vejo, preciso de te contar, de te dizer que ainda dura em mim. Preciso de revelar o que o meu coração sussurra. Afinal amei-te tanto, e agora tenho medo deste amor. Tenho medo de avançar e saber que vou ser negada. Despedaçada, mais uma vez. Bastava um único sinal teu e iria ter contigo, para te poder dizer. Quando chega o Inverno, o frio, a chuva, tudo amortece o coração, esqueço a dor, esqueço se quer que tu ainda assim existes, não passas de uma imagem. Mas quando estou perto, a realidade confronta-me, mostra-me o que eu nego há tanto tempo. Ainda te amo...Será que é pouco?"

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Além



"No silencio, hoje eu nego que tu existis, que estás aí desse lado, que afinal era tudo uma realidade. Tento fingir que não se passou, que nunca fomos mais do que somos hoje. É tão mais fácil quando estamos longe, ignorar a tua existência perto de mim, a tua vida, o que fazes, o que vives. 
Quando chega o Inverno, aqui, é como se nem existisses para mim, é como se não fosses mais que um produto da minha imaginação que exalta os sentidos nas noites, em sonhos descritivos do nosso igual prazer.
Mas e depois? Quando te vejo além, a fingir também que nada somos, a sussurrar um para o outro que estamos ali, frente a frente, mas distantes, trocando em olhares secretos, uma vontade de nos encaminhar-mos um para o outro. O mundo talvez pare, ninguém se apercebe, ninguém nunca vai se quer dar conta. Limitamos-nos a isto....Por quanto mais tempo? Terei eu de fingir."

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

No silêncio do Adeus







"Nunca foi um Adeus, foi sempre um até durante muitos meses, uma despedida que sabíamos que seria curta. Um até breve mais longo que o normal. Aprendemos a conviver com isso os dois, e com isso aprendemos a crescer, a vivermos e a sermos, mais e melhor todos os dias. E quando eu te dizia até breve, no silêncio do meu coração, chorava um adeus da tua partida, uma dor que se acumulava no peito com a distancia do teu carro a afastar-se de mim, um choro escondido, pela madrugada fora vertido na almofada, em que não vinha o sono. E durante dias era assim, até voltar ao quotidiano, ao normal. E vivia em função da espera, do nosso até breve, vivia para os momentos que tínhamos os dois há noite, vidrados frente a frente a um ecrã, esperando as respostas. Esperava que chega-se a volta, o teu olhar a vir, o teu sorriso para mim. Acho que nunca me ensinas-te a dizer adeus, e eu nunca consegui aprender sozinha. Sei que não é fácil, que dói, que remói, que destrói...E sei que Adeus nunca existiu no meu vocabulário, nas minhas palavras, na minha mente, pelo menos para ti. E agora este Adeus escondido vive e mim, no silencio. "

sábado, 11 de dezembro de 2010

Não vás embora







"Não vás embora. Fica comigo. Aqui ao meu lado. Não feches essa porte, não negues o que é nosso e o troques por uma ilusão. Não partas assim o meu coração ferido.
Fica por mim, por nós. Fica por tudo o que já vivemos e pelo que nos falta ainda viver. Não me deixes aqui sozinha. Eu não sou capaz. Não consigo. Preciso de ti, agora, sempre, para sempre. Não digas adeus, eu sei que talvez mereça, mas pensa antes, ouve o teu coração. Eu sei que ele chama por mim. E quando fechares a porta pensa que eu ainda estou do outro lado. A morrer por ti"

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Talvez já chegue



"Já chegue talvez de te procurar em cada esquina, em cada beco, em cada curva. Em cada sombra que me aparece há frente. Eu sei que não voltas mais, foste e pronto. Eu quero acreditar que talvez ainda voltes, mas eu no fundo sei que não, que partis-te sem olhar para trás, sem pensar em mim mais, sem mesmo voltares a perguntar por mim. 
Queria procurar-te para te dizer, para te contar o que escondo, mas sei que de nada valerá, nada farás, vais seguir em frente, sem pensares em mim. Sem se quer perguntares como estou. Tu és assim, como o vento, como as aves de Outono, vais e voltas para me fazer lembrar que ainda existes. Seria melhor se fosses para sempre, ao menos não teria de lembrar-me de esquecer outra vez. Vivo a lembrar-te, para te aprender a esquecer."

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Vem aí o Natal


"Vem, sem medos, em pezinhos de lã graciosos e silenciosos para não se ouvir chegar. Traz no ar o cheiro das filhoses e das rabanadas, do bacalhau e do peru. Traz também a certeza e a incerteza, o medo e a esperança, o calor e o frio, mas traz essencialmente o amor. 
Traz no ar o amor do aconchego, traz o pedido do coração frio. Vêem também as lembranças e as recordações, a tristeza de saber que passa mais um, e a incerteza que não estás aqui mais. Vejo os laços, e os embrulhos, os presentes trocados, dados, de grande ou pouco valor, com amor ou sem ele. 
Sento-me no chão  penso em ti, no teu sorriso, na tua alegria, no teu olhar. O que peço? Ter-te de volta, por um momento, só, por um momento para mim. Abraçar-te no silencio da meia noite. E quando desse as 12 badaladas desejar-te «Feliz Natal»."

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Está a chover




"Já viste?! Está a chover, uma chuva prateada, carregada de sonhos e desejos. Já viste? quanto bela é, quanto podemos ir para de baixo dela e deitarmos-nos a sentir ela a cair em nós. Que felicidade. Já viste?
Vamos ficar aqui, está bem? Vamos sentir esta chuva para que nunca se acabe, vamos dançar e cantar, vamos viver outra vez. Queria isto tudo. Queria aquela tarde de chuva prateada, em que tudo para nós mudou. Já viste o quanto o tempo voltou atrás, não dois, nem três, mas sim 10 anos. É se tudo para nós tivesse outro significado. É como se esta chuva prateada existi-se para sempre.
Já viste, crescemos e esquecemos a chuva prateada e a beleza da infância. esquecemos também aquele dia."

domingo, 5 de dezembro de 2010

Hoje é assim e amanha?




"Hoje estamos bem, e amanha? Não me interessa, prefiro não pensar, ignorar esse deleito da alma, essa questão sem resposta, esse futuro imprevisto e indeciso. Só hoje importa e estamos bem. Somos assim, e estamos bem. Não bem, mas muito bem. Gosto de me aconchegar no teu sorriso e sentir os teus lábios a tocar os meus num beijo desafogado, gostei da tua maneira carinhosa de dizer "tinha saudades tuas", arrepie-me, senti-me grande, bem, feliz. É de momentos destes que o meu coração vive, para ti."

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hoje talvez







"Compreendi que mais nada existe para fazer, que o tempo é uma desperdício, que as tentativas foram frustradas. Que não vale a pena seguir, tentar novamente. Que eu não passo de um estorvo, um grande estorvo. Só sirvo para as horas vagas, para aquelas que não tens ninguém, para aquelas que precisas de alguém e sabes que estou aqui. Fartei-me de estar aqui, sem ter aqui que esteja para mim."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Não me querias?



"Não me querias? Com todos os defeitos e todas as virtudes? Com os bons e maus humores que eu tenho? Com toda a vontade e desejo? Então acho que tens de aceitar tudo, tudo aquilo que pensas que não queres aceitar. 
As minhas duvidas, receios e esperanças, as minhas mágoas, feridas e comichões. A mania que eu tenho de queres tudo há minha maneira, a mania que eu tenho de fazer birrinha e chorar para ter o que quero!
Pela maneira que as vezes berro quando me chateiam de mais, pelos sorrisos que já nem escondo para ti porque sabes que eu para ti não sei fingir. 
Tens de aceitar, que eu acordo e gosto de miminhos, que gosto que te preocupes comigo e me faças as vontades. Que digas que gostas de mim várias vezes para eu saber. Não gostas de mim? Tens de me aceitar, com a mania chata que eu tenho de falar mal de quem eu não gosto, de ser irónica e sarcástica.
Pelo mal que tenho de perdoar facilmente que não devo, pela imaginação e pelo dever, pela perseverança do que tenho, das duvidas que por vezes sinto e da dor. Afinal não me querias? Tens de me aceitar"

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Agora







"Agora a neve cai lá fora, a brisa do Outono apagou o dourado e veio cobrir de branco as minhas lembranças. Não existe mais o calor do dourado, nem o brilho do reflexo das folhas. Não existe mais o verde, nem a chuva que goteja depressa. Existe o branco que veio suavizar a minha dor que tapou as memórias e os lugares, que tornou tudo igual. Por isso gosto do Inverno, faz-me esquecer de ti um pouco, faz-me esquecer de recordar as memórias daquele Verão. 
O Inverno tem este efeito em mim, porque tu sabes e eu sei que a nossa história é o Verão, o Inverno não me traz nada além de alegria. Traz-me a certeza que consigo ultrapassar isto sempre. Mas quando chegar a primavera, e as cores voltarem, acordar de manha com o cantar do cuco, e ouvir ao longe as vacas no pasto eu saberei que a dor de teres me deixado nunca me vai deixar. Existirá sempre um verão para me recordar de ti"


Mailin

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vamos sonhar





"Hoje tentei tocar-te, sentir o teu peito junto ao meu. Abraçar-te como nunca e ter a certeza que existias para mim. Queria beijar-te novamente como um dia e dar-te a mão simplesmente por dar. Queria deitar-me contigo na erva do campo e sentir o sol a bater-me na cara e a tua respiração compassada. 
Queria seguir o ritmo do teu coração com o meu e olhar-te sempre que quase-se ver esse sorriso que um dia eu sei que foi meu. Queria falar contigo durante horas, sobre tudo, e atirar-te para cima de ti em quanto me fazias cócegas. Estar contigo simplesmente por estar. 
Não sentes saudades disso? Eu sinto"


Mailin

sábado, 27 de novembro de 2010

Esquecer





"Vamos esquecer isto tudo, vamos nos esquecer a nós pode ser? vamos fingir que nunca existimos e que nada é mais que uma simples ilusão.
Vamos sorrir como nunca sorrimos e vamos esconder a tristeza que vive no nosso peito. Vamos ganhar coragem e olhar-nos nos olhos e esquecer que um dia aconteceu. Vamos simplesmente seguir a nossa vida, cada uma para seu lado como se não nos tivéssemos cruzados nunca. E vamos seguir como uma seguimos as nossas vidas sem nunca olhar para trás"


Mailin

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quebrado





"E é assim, um começo sem fim e um fim se começo, um do outro um para o outro, estando juntos ou separados, unidos ou desunidos, somos assim. Mas desta vez doeu, partiu o coração em mil pedaçinhos, a alma em mil fragmentos. Foi mais forte que eu esta vontade de dizer: "Chega! Estou cansada." Preciso de ser mais do que uma pessoa que está deste lado, preciso de ser mais do que alguém que simplesmente aqui está. Preciso de carinho, de amor e atenção. Preciso de saber que estás aí, preciso que sejas meu como eu sempre fui tua. Preciso que venhas ter comigo, que faças algo por mim. Preciso que me digas que amas e me mostres que é verdade. 
Só queria ser para ti um pouco do que tu és para mim"


Mailin 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Vazio







"O vazio preencheu a alma, despertou incertezas e certezas, ocupou o espaço desocupado por ti e tornou realidade o que eu sempre neguei como ilusão. Estendi-te a mão, tentei tocar-te e não consegui, gritei pelo teu nome, chamei-te vezes sem conta e parece que nunca quiseste ouvir. Esgotas-te a minha voz, e fizeste-me recordar. Nunca acreditei que pudesses sentir tão sozinha novamente. E agora quando olho já não te vejo em lado nenhum. Passas-te de real a uma ilusão para começar a ver que faltas-te sempre a partir de um momento. Não estás lá, nunca estives-te e quando mais precisei de ti falhas-te sempre. Não te quero mais assim, prefiro viver sozinha e pronto, é mais fácil negar do que imaginar"


Mailin

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Acreditar





"Eu quis acreditar em ti e por isso tentei por tudo. Quis dar a alma e o coração a minha presença incondicional, quis dar a minha certeza. Mas quando passo a mão pela ferida nunca fechada, aberta por ti naqueles dias que fingias importar-te comigo, sinto que afinal não sou capaz de voltar atrás. Não sou capaz de estender-te a mão e dar tudo de mim novamente. Nunca te importas-te com o que provocas-te, achas-te que um simples "desculpa" chegaria para apagar a dor que me deixas-te no peito ainda dorido pela ferida. Pensas-te que o tempo me faria esquecer. Tu sabes que não faz. Tu sabes que existe sempre um se. Sabes que o tempo não cura, só faz atenuar. Nunca esquecer.
Aprendi sedo que quem diz que Perdoa mente. Pois o perdão é esquecer e ninguém consegue esquecer uma cicatriz"


Mailin

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Soltou-se





"Veio e trouxe um sabor de saudade, de alegria e tristeza. Um sentimento de doçura e de amargo. Apeteceu-me tocar, para sentir se seria tão verdade como realmente estava na minha frente. Tão palpável como deixava transparecer para mim. Tentei e tentei e não consegui tocar, estranho, formigueiro nos dedos como se não passa-se de óptico, de impressão de estranheza. 
Queria poder tocar outra vez só para sentir, para saber se era mesmo real. Até que acordei, e soube que era só mais um sonho"


Mailin

segunda-feira, 22 de novembro de 2010





Hoje sinto a brisa a tocar-me a cara e a trazer o pensamento de volta a mim, sinto a tristeza a invadir-me o meu peito e a deixar de novo o meu ser. Sinto a liberdade negada num olhar e o fantasma que me atormenta o peito, esse vem do passado para me fazer lembrar o que quero e preciso de esquecer.
Hoje sinto o teu toque nos meus lábios, cara, cabelos, mãos...Sinto o teu cheiro em cada movimento meu e vejo a tua sombra em cada esquina de cada prédio que cruzo. Sinto o sabor da crueldade impressa no ar e a humidade da incerteza presa em ti.
Hoje sinto que não sou mais capaz de viver sem ti

sábado, 13 de novembro de 2010

Capitulo II



O reencontro I

Quando cheguei a casa não cabia em mim de contente! Nem sabia para onde me havia de virar, só me apetecia sair daquele daquele táxi a correr em direcção e abraçá-lo, dar-lhe um abraço do tamanho do mundo inteiro. Então porque não ia? Algo me dizia para não o fazer, não sei se aquele olhar, se o facto de a minha avó já estar a fazer uma lista enorme do que tínhamos de fazer antes do jantar. Resignadamente lá saí do táxi e fui ajudar a tirar as malas. O meu irmão reclamou que eu devia trazer uma mala para um ano. Era verdade que estava pesada, e nem tinha trazido assim tanta roupa quanto isso. Fogo estava a ser injusto comigo.
Peguei na minha mala. Ok realmente estava assim um bocadinho pesada de mais para o meu gosto. Lá peguei nela e arrastei-a escada acima, entrei no meu quarto que estava escuridão. Abri as persianas. Luz finalmente. Apesar de tarde ainda havia claridade para abrir a janela. Estava um belo dia. Nem frio, estava. Depois de olhar à minha volta para ver se estava tudo em ordem, voltei pelo corredor que já tinha algumas malas trazidas pelo meu irmão e desci novamente as escadas. O táxi já tinha ido embora, mas em contra partida já se tinha juntado ali uma pequena multidão para nos ver. 
"Que altos que estão", "Já está uma mulher"...Frases tipicas...Depois de cumprimentar todos e responder aquelas perguntas da praxe, peguei noutra mala e levei-a para cima. 
Pousei-a no corredor pois não sabia onde mete-la e voltei ao quarto. Depois de passar a vista pelo quarto há procura do rádio voltei há sala. Lá estava ele em cima de uma dos divãs, dentro da sua caixa para não apanhar pó. Tirei-o cuidadosamente e levei-o para o meu quarto. Liguei-o há ficha e meti a minha cassete favorita bem alta. Em quanto as musicas iam passando eu ia arrumando a roupa nas gavetas e a colocar as calças nos cabides. Escolhi rapidamente algo para vestir pois a minha avó estava-me a chamar já. Umas calças de fato de treino velhas e uma t-shirt estava óptimo. 
Quando entrei na cozinha, já estava a minha avó a reclamar que o meu irmão já tinha desaparecido e que tinha imensa coisa para fazer. Lá acabei por lhe perguntar o que queria que eu fizesse. Em quanto olhava para mim disse "água, vai buscar água para fazer o jantar". Não que não tivéssemos água em casa, mas depois de estar um ano fechada aquela casa se precisava de apanhar ar as torneiras também e por isso a água sabia a ferrugem. 
Peguei em dois garrafões dos médios e lá desci as escada. Ouvi o meu irmão na garagem da casa a encher pareceu-me uma bola, pois ouvi-o a bater uma bola para ver se estava boa. Pensei logo que amanha sem falta iria treinar um pouco com ele. Não podia descuidar-me no futebol. Pelo caminho lá fui descendo. Olhei para a casa da minha bisavó, ela não tinha dado conta que nós tínhamos chegado. Já devia estar deitada há séculos. Em quanto seguia pelo caminho que ia dar a escola e passava pela ponte ia pensado. em tudo o que deixava em Lisboa. E que se pudesse voltava antes do que esperava. Bastava fazer um bocadinho de birra. Quando dei a volta que dava ao carreiro para a fonte velha vi-o. Estava de costas para mim um pouco mais em baixo. Já não precisava de esperar mais. Finalmente





segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A partida II

A partida II


Depois de colocar as malas novamente no porta bagagens da outra camioneta entrei para o primeiro andar. Era uma daquelas camionetas que tem aqueles lugares há frente colados ao vidro e alguns lugares em baixo. Como estava vazia e os lugares eram há nossa escolha eu fui para cima e sentei-me num desses com o meu irmão. Voltei a colocar os fones nos ouvidos e lá partimos passados 10 minutos rumo à nossa vilazinha. 
O segundo caminho desta vez foi mais atribulado. A camioneta parava em todas as terrinhas, tivemos uma avaria e tivemos de parar numa bomba de gasolina e esperar cerca de meia hora que fosse arranjada. Quando chegamos há vila já estava tarde e ainda por cima nem táxis havia para nos levar a aldeia. Depois de uma espera de cerca de meia hora lá apareceu um táxi para nos levar em direcção a casa. 
É verdade que fazia um ano que ali não voltava e depois de sair da camioneta deu-me aquela saudade. Apesar de tudo eu gostava imenso da terra, sentia-me livre lá, uma sensação boa. Verdade que quando estava na cidade não era assim tão bom, mas agora até me senti conformada por ter ido. 
Aquele cheiro familiar, a pinheiro, misturado com terra e ovelhas. O sabor que se podia sentir era uma mistura de passado com presente. Depois de entrar-mos no táxi pude ver pela pequena estrada, cheia de curvas e buracos aquilo que eu tanto conhecia. 
Pinheiros, imensos pinheiros, tão altos que mal se via a copa. Tão grossos que eram precisas duas pessoas para abraça-lo. As gestas tão altas que na primavera de cobriam de flores amarelas e brancas e sarapitavam o verde...onde eram campos e campos de flores assim. O cheiro no ar que deixava entre a ver uma réstia de nostalgia. Quando viramos a ultima curva antes de entrar na aldeia e vi a placa a chamar pela minha terra senti-me contente interiormente. O táxi acelerou estrada a baixo a caminho do meu mundo e eu estava satisfeita e cansada. Dava tudo para poder deitar-me de papo para o ar num calhau e ficar a sentir o ar a passar-me na cara. 
Até que passamos por ele, apesar da velocidade que íamos consegui ver um vislumbre do seu olhar, foi estranho, como um ressalto no peito. Uma pancada estranha. Aquele olhar, conhecia-o? Era impossível. Calculei que não devia se quer ser dali, conhecia toda a gente na aldeia e ele não era dali. 
Só ali havia um rapaz e esse era muito mais velho que eu, irmão de uma amiga minha. E aquele rapaz aparentava ter um uns 2 ou 3 anos mais velho que eu simplesmente. 
Segui-o-se uma conversa que eu fiquei atenta: A minha avó perguntou ao taxista quem era. E ele respondeu que era neto de uma senhora da aldeia, ele estava em França e tinha vindo há dois dias atrás. 
De repente lembrei-me, não podia ser? Seria ele? Tanto tempo que não o via, talvez 3 ou 4 anos. Não sei bem. Sei que sendo assim mal o tinha reconhecido. Que estranho. Afinal parece que o conhecia. Afinal aquelas férias iam valer a pena. Depois de tanto tempo sem nos vermos, finalmente recontro-mo-nos. Eu e o meu melhor amigo....

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

No norte

Capitulo I

A partida

Dei-lhe outra pancada, mas já vi que não ia funcionar mesmo. Não ia aguentar mais 2 horas de viagem até ao norte sem ar condicionada. Malditas camionetas velhas. 
Voltei a encostar a cabeça a vidro, o suor escorria-me pela testa, fechei os olhos por um momento para aproveitar um pouco da musica que tinha no walkman. Tinha pedido ao meu pai um discman nos anos mas ela não me tinha oferecido, então agora passava a vida a trocar de cassete de meia em meia hora. 
Recordava aquela manha que tinha ido à escola fazer a minha matricula, parecia tudo tão distante agora. Os meus colegas, o Sérgio, tudo. Queria passar estas férias com ele, afinal só namorávamos à cerca de 3 semanas. Mas não, o meu pai tinha de me mandar para o norte com o meu irmão e os meus avós. Será que ele não entendia que aquilo a mim já não me dizia nada? 
Tinha sido muito bom, anos antes. Adorava ir para lá, estar lá de férias, adorava ir guardar as vacas e as cabras com a Júlia e com a Paula, tirar o leite. Lá tinha uma liberdade como nunca tive na cidade. Mas o meu pai não percebia que com 14 anos eu queria estar com os meus amigos, ir à praia, estar com o meu namorado, que ele por acaso não sabia ainda. 
Mas estava enfiada numa camioneta a 3 horas a caminho do norte com o meu irmão ao meu lado a jogar tétris e com os meus avós atrás a perguntar-me de 15 em 15 minutos se não tinha fome, se não queria bolachas....Que ricas férias iam ser estas já estava mesmo adivinhar. 
De repente a cassete acabou, ouvi o estalido do fim, nem tinha reparado que estava na ultima musica tão embrenhada nos meus pensamentos e a pensar no belo beijo que eu e o Sérgio tínhamos trocado de manha antes do meu pai me ir buscar.
O Sérgio era o meu primeiro namorado. Não é normal eu sei, uma rapariga de 14 anos da cidade ainda não ter tido nenhum namorado. Eu sempre fui muito ligada aos rapazes, mas no sentido de andar com eles a jogar à bola ou a fazer macacada, nunca tinha olhado para eles com aqueles olhos de rapariga. Finalmente no ano anterior apaixonei-me pela primeira vez. Assim que o vi foi amor à primeira vista. Pena que com ele não tenha sido assim, ainda demoramos quase 2 anos para começar-mos a namorar, e agora que o tinha finalmente o meu pai separa-me dele. É verdade que que era só um mês. Também que diferença fazia?! Sempre tinha tempo de pensar se queria aprofundar os nossos beijos, afinal ainda só tínhamos dado uns beijinhos a fugir, nada como se vê nos filmes. Talvez quando viesse do norte estivesse  pronta para esse beijo que ele tanto queria e que eu tinha algum medo. Afinal era o meu primeiro beijo.

Quando chegamos a uma das paragens do camioneta o motorista mandou algum pessoal que seguia para as aldeias mais pequenas ir para outra camioneta que nos aguardava ali, porque ele ia seguir com aquela para outro lado. Depois de fazer a chamada das terrinhas para que seguia, lá me levantei contrariada e fui tirar as malas. Só me faltava mais esta, trocar ainda de camioneta. Desci da camioneta e fui tirar a minha mala, a do meu irmão que pesava toneladas, aquele devia trazer os bonecos todos dentro da mala de certeza, e a mala da minha avó. Lá nos encaminhamos para a outra camioneta do outro lado que estava já há nossa espera. 


Apresentação

Sou alguém que gosta de escrever, por isso decidi criar este espaço para publicar algumas coisas. A começar por histórias, capítulos. Resumidamente como se fosse um livro...Espero que gostem dos textos, se não gostarem também não faz mal. Não me chateio muito com isso.


Eu gosto de muitas coisas entre elas como disse é escrever, a outra é as coisas naturais, as paisagens, a natureza, o real, o verdadeiro. Gosto de apreciar no silêncio da noite quando estou no norte as estrelas, estar deitada a olhar para ao céu, sou capaz de estar assim durante imensas horas. 


Este titulo significa que esta casa foi importante para mim. Não nomearei nomes de pessoas (serão todos mudados), nem nomes de terras. Vou salvaguardar o mágico do meu lugar. Vou começar pelo primeiro texto espero que gostem


Ciau