terça-feira, 28 de junho de 2011

Luz negra



Quanto basta acreditar que sempre assim foi? Talvez o tempo tenho tirado o véu da frente e começado a tropeçar em pequenos objectos que sempre ignorámos à partida. Que achamos ridículos por se mostrarem tão pequenos que nem mal a uma formiga faziam. São eles mesmo que como espinho se vêem  enterrar na carne, e provocar as dores, e quando damos conta, aquilo que tão pequenino e insignificante parecia afinal causou uma ferida grande e dorida. 
É nisso que agora vejo o sangue que me sai em golfadas de fingimento e de sorrisos para tentar mostrar outra vez o que sempre fui. Uma pedra...um pedra dura que não corrompe o silêncio que se instala no coração. Uma folha ao vento que voa sem pousar...com medo do vento, do mundo. Com medo de se magoar com a brisa que vem abrir o meu peito com lágrimas.
E é nisto que me volto a tornar, num muro, uma pedra, um castelo de muralhas tão grandes que ninguém entra. 
A luz afinal sempre aparece...Negra

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A vida num segundo



Bastam momentos, basta meros milésimos de segundo que o tempo não deixa registado para tudo mudar. Para tudo aquilo que damos por certo se tornar tão incerto, tão fundo como um abismo. Tudo gira à volta disto, criando uma dor no peito que me põe naquele lugar, outra vez, como se soubesse exactamente os sentimentos que ali proliferam. Não choro, essas lágrimas guardo-as para ti, mas sinto o coração doente, sinto o peito a dizer: "tu sabes", "tu ainda sentes isso tudo"...apetecia-me afogar outra vez nas lágrimas que tantas vezes deixei correr. E em quanto as noticias de ti correm o mundo, mas minhas correm a pequena estrada tortuosa que leva ao coração.
"Onde estás?"....É a pergunta que todos fazem, eu sei a resposta. Estás no meu coração, na minha mente. E em quanto as imagens vivem no ecrã a deixar trespassar a dor de uma família. eu escondo a dor para mim já tão familiar. Como tudo pode ser roubado num segundo.


M*

domingo, 26 de junho de 2011

Em nome do passado

Em nome do passado



Prólogo 

Muitas vezes quero acreditar que o passado não deixou nada em mim, tento apagá-lo como se fosse escrito em lápis de carvão. Mas depois de tanto esfregar com a borracha, de já me doer o braço do movimento repetido, vejo que afinal o lápis de carvão não é mais que caneta de tinta permanente, que nunca vai sair.
É isso que o meu passado é, um livro escrito a tinta permanente, para não me fazer esquecer nada, nem os pormenores mais estúpidos que possam existir. São passados a tinta, escritos no coração para nunca mais saírem. Afinal o que sou eu devo ao meu passado, tanto ao bom ou ao mau passado que tive.


Não gosto de ver o tempo a passar, faz-me lembrar o quanto velha estou a ficar e em tudo aquilo que ainda me falta viver, afinal parece que o passado não perdoa o que se perdeu. O grande amor surge uma vez na vida. Uns tem sorte de ficar com ele para sempre, outros, a grande maioria perde-o, ficando a lamentar durante o resto da vida a sua falta, jurando não haver amor maior. 
Eu pertenço ao segundo grupo, aquele que amou, amou tão a sério que hoje não quer mais amar, vive à espera de um final tipo livro, à espera que ele um dia volte como se nunca tivesse passado este tempo todo. Outros amores vão surgindo, durante a vida, uns quase parecidos com o primeiro, mas sempre lamentado esse primeiro que queremos com todas as forças. 
O meu primeiro amor vive naqueles recantos da memória, escondido nas sombras desejoso de aparecer por cima de qualquer e mostrar-se ao mundo. Ainda hoje acredito que ele pense em mim tal como eu penso nele. E que a qualquer altura como num sonho ele vem para mim, para me mostrar que somos alma gémeas um do outro

sábado, 25 de junho de 2011

Sózinha



Não quero esta solidão que me invade o peito agora, que me faz deitar as lágrimas fora quando eu não quero. Não quero este abandono lento da alma, este espinho que cada vez mais se enterra no meu coração doente. Não quero, e não quero mais, este sentimento de estar a mais em alguns lados. Em deixar-me invadir pelo sentimento de não ter nada nem ninguém. Afinal é saber estar sozinha na multidão que nos cerca que nos desampare quando tentamos estar amparados em algo sem sentido. Chego a esticar a mão em vão a um sentimento que me nega. Afinal a solidão é real é definitiva em mim. Só sozinho ultrapasso tudo e sobrevivo à dor que consome o peito.
Não quero estar sozinha e é sozinha que estou, é sozinha que me encontro todos os dias, tanto na multidão espalhada por aí, como no chão frio de uma cozinha qualquer, escondida atrás de uma mesa. 
O estar a mais já deixou de ser uma impressão para ser real, para ser uma certeza vincada. 



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Vamos ser outra vez




Eu quero sentir-te em mim, como se nada nos tivesse separado nunca, como se tudo fosse mais uma vez nosso. Como se o mundo fosse nosso novamente. Não quero a solidão que me invade o peito outra vez como se tudo voltasse como antes. Ao inicio...E agora? É o o peito que ainda chama por ti, pelo teu abraço, pelo teu carinho. Pela tua eterna presença que me acarinhava apesar das distancia que nos separava. E choro...Tantas vezes choro por ti, grito o teu nome no meu coração. Ninguém ouve, não é para ouvirem. É para me chegarem a ti, para me deixarem outra vez presa a ti. Presa a alguém que era tudo...E agora sem ti nada sou. Não tenho nada. Luto por um caminho que não tenho nada....
Preciso do tempo para me trazer até ti...
Preciso de ti


M**

sábado, 18 de junho de 2011

Inatingível solidão



Entre a multidão, perdida num mar de braços e de sons que circulam à minha volta. De olhares que talvez nem olhem, não vêem nada. Sinto a tua falta, sinto as canções que tantas vezes cantamos juntos (outras não porque já não as pudeste ouvir), ouço-as no meu coração, como se estivesses ao pé de mim a cantá-las de mãos dadas os dois, a balançar os braços ao som da balada que gostavamos. 
Fecho os meus olhos, entoou a musica dentro da cabeça, nos lábios e no coração. Finjo que te dou a mão, que estás ali comigo. 
Fingir é tão bom, fingir que ali estás, que nunca foste embora, e que vivemos outra vez tudo. Fingir é tudo o que me mantêm agarrada a algo que muitas vezes tento esquecer. E em quanto a musica passa o meu coração balança com as musicas tão nossas conhecidas. Umas que tu não conheces-te comigo, mas eu eu canto para ti em silêncio nas muitas noites em que adormeço a chorar por ti.
Sim ainda choro, é rara a noite que não chore a pensar em ti. A rara a noite que não sinta a coração a afundar num desespero mudo que te chama. 
Poucos sabem, nem se quer sonham, nem quero que imaginem. Afinal a minha fraqueza és tu. A minha fraqueza é o teu nome. As tuas lembranças....


M**

terça-feira, 14 de junho de 2011

O mundo desaba



O meu mundo desaba à minha volta. Onde estou eu? Para onde vou...Quais serão os limites para mim. Não me encontro nas esquinas onde me perdi. Parece que nada se torna em mim outra vez verdadeiro. Tenho medo do mundo, tenho medo de querer e de lutar, tenho medo de avançar com medo de recuar outra vez para um beco que não é meu.
Não me sinto, não me vejo, não me resumo. O meu peito está calado na horas mortas e o silêncio consome-me o peito. Tenho medo do mundo e tenho a coragem necessário para o enfrentar. Mas até quando poderei lutar contra a minha natureza, contra aquilo que eu sou.
Voltei atrás outra vez, voltei a viver, aquilo que temia que voltasse sem a força necessária...E tenho medo dessa falta de força.
Tenho medo que desta vez sucumba...a tudo

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ele roçou-me o olhar




Nada se apagou. Eu sei disso, e tu sabes disso. Sentimos tudo sempre. Por mais voltas que a vida nos dê, por mais que eu negue o sentimento. Eu sei que o sinto, eu sei que ele existe e sempre que te vê. Sempre que vê esses olhos castanhos, sinto um afogar no peito. Uma dormência doce.
És o meu pecado, és o que eu procuro tanta vez e me nego a aceitar quando vens. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O medo de mim



Como se ele entra-se novamente em mim, para comandar o meu destino. Como se tudo o que estava bem de repente fica-se mal, que o tempo nega-se a minha existência. Avançou durante estes dias com precisão, como sobras que se atravessam no caminho à noite quando estamos sós.
Tomou outra vez conta de mim, invadiu a minha alma e trouxe-me o passado que eu não queria num presente. 
Negar entre sorrisos o que eu escondo entre lágrimas, ter medo de um abraço, de um carinho, de um consolo. Não quero ver o mundo a desabar à minha volta quando sinto o meu mundo a desabar sobre os meus pés. Não quero ter a minha vida alterada. Só quero ter a certeza que as minhas lágrimas, são minhas e de mais ninguém.
Não quero que ninguém chore por mim, não quero que o mundo se vire por mim outra vez, mais uma vez. Só quero que ele volte a ser como era. Só quero ter na minha mão outra vez o meu mundo.


E sinto-me fraca, faço força para não mostrar mais uma vez a minha fraqueza e tenho medo que ela me domine, que ela tome conta de mim. Afinal eu sou forte, essa sou eu. Força....
Mas por dentro a carapaça rompe lentamente, à procura de um lugar para chorar....

sábado, 4 de junho de 2011

Quero ainda estar contigo esta noite



Quero abraçar-te com força, envolver o teu corpo no meu. Entrelaçar-nos num só, contacto pele com pele sem nada a separar o nosso toque. Quero que te fundas em mim para sermos outras um. Sentir o teu ritmo dentro de mim a deixar-me louca outra vez. Desenhar com a ponta dos dedos a tua pele macia em quanto te abraças a mim com medo de me soltar. 
Envolver-me em ti, poder sentir-me tua de todas as maneiras possíveis. Ouvir o teu gemido no meu ouvido em quanto tentas conter o abafo da garganta num grito mudo de prazer. Engolir a saliva que me sobe à garganta quando o cume do prazer atinge o seu pico mais alto. 
Quero saber que ainda nos pertencemos todas as noites, quando nos deitamos ao lado um do outro, em breves momentos nos abraços com pressa para ninguém saber que somos um do outro. 


Preciso de estar contigo esta noite

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A casa do norte

Capitulo II





O reencontro IV

Cheguei a casa a transpirar, parecia que tinha vindo a correr uma maratona ou algo parecido. A minha avó, querida como sempre perguntou-me o que se passava para eu ter vindo a correr. Eu lá respondi entre dentes que tinha vindo depressa e que o garrafão estava pesado. 
Pousei o garrafão em cima da bancada e fui buscar a garrafa, em quanto enxaguava a garrafa para colocar lá dentro a água da fonte perguntei pelo meu irmão. Desde que tinha chegado que não o tinha mais visto. A minha avó disse que ele tinha enchido a bicicleta e desaparecido. Provavelmente teria ido ter com o meu tio ao estábulo das vacas para dizer que já tinha chegado.
Em quanto metia a mesa o meu irmão chegou a arquejar, vinha cansado de tanto pedalar. Perguntei por onde ele tinha andado, que ele devia estar a ajudar em vez de passear. Ele ignorando o meu reparo virou-se para a minha avó e disse de uma só tirada "O Zé está cá, vou com ele buscar o leite, queres que traga para nós?"  Bolas pensei eu, o meu irmão já andava colado a ele. Que mal tinha eu feito para merecer isto. 
O meu tio era quem tinha o maior estábulo de vacas e ele "fornecia" o leite à aldeia, e quando lá estávamos também a nós. No final de cada mês as pessoas davam-lhe uma quantia razoável pelo leite que consumiam. O meu irmão voltou a sair a correr, pegou na bicicleta e desandou. Eu olhei para o relógio, meia hora mais coisa menos coisa e o leite teria de ser entregue no depósito do leite. À imenso tempo que não entrava lá. Adorava o cheiro do depósito, ver a "balança" a contabilizar o leite dado pelo meu tio e o outro ordenhador da aldeia o senhor Artur. 
Fui para cima fazer as camas e arrumar  as camas para todos. Em quanto fazia as camas ouvi o meu irmão a gritar para trazer a cafeteira para o leite. Lá eu desci as escadas a correr novamente com medo que a minha avó não tivesse ouvido o meu irmão. Saltava de dois em dois degraus e no ultimo aconteceu o inevitável, coloquei mal o pé, e senti ele a inclinar-se, em quanto me agarrava à primeira coisa que tinha à frente o ar...Cai desamparada no patim, onde ouvi risinhos. O meu irmão claro disse logo que era mesmo desastrada, que não sabia ter cuidado, miudinho insuportável que passava metade da vida com feridas nos joelhos. Lá me levantei à pressa e encarei novamente aquele olhar. Parecia que a situação se tinha alterado, agora era eu a envergonhada e ele o que se ria de mim.
Virei costas e fui buscar a cafeteira, estava fula se ele pensava que gozava assim comigo. Eu ia lhe mostrar que ele não tinha o direito de gozar comigo. Voltei para a rua com a cafeteira na mão e o meu irmão meteu-a no jarrão do leite para o tirar. Em quanto evitava olhar para o olhar dele, ouvi uma voz que eu não conhecia a perguntar "estás bem?" voltei-me para ver se a voz correspondia à pessoa que eu estava a pensar. Era ele, a falar comigo. O sotaque não deixava de enganar de onde ele vinha. 
Acenei com a cabeça sem lhe responder directamente. Fingindo que estava tudo bem. Ele apontou para o meu joelho e vi uma fio vermelho escuro a escorrer-me pela perna. Disse-lhe que estava tudo bem, que não se preocupa-se. Aceitei a cafeteira que o meu irmão me estendia e voltei-lhe as costas. Entrei em casa e sentei-me numa cadeira, em quanto com um guardanapo limpava o sangue já um pouco seco. A minha avó olhou para a minha perna e disse "já cais-te outra vez?" eu resmunguei um sim inaudível e sentei-me para jantar.

O jantar correu normalmente sem grandes conversas. a fadiga da viagem pesava no corpo que ficava mole com o passar das horas. Depois de comer e limpar a cozinha pedi licença para me ir deitar. Despedi-me dos meus avós e subi a escada. Ainda era cedo e no horizonte notava-se ainda uma risca clara do à muito por do sol que tinha deixado. Em quanto vestia o pijama, e escovava os dentes pensei o que iria fazer no dia seguinte, ainda não tinha visto as minhas amigas e era uma altura de ir à procura delas. O meu primo também ainda não o tinha visto. Peguei num livro e fui-me sentar na varanda a ler. Estava uma noite calma onde não se ouvia nada. O céu estava estrelado, límpido, sem uma única nuvem no céu. O dia seguinte iria ser quente...Pensei eu. Depois de uma duas horas sentada a ler, levantei-me do chão e fui para dentro para dormir. Olhei para o telemóvel a ver se tinha alguma sms ou chamada. Nem um sinal de vida do Sérgio, ainda estava chateado comigo por ter ido para cima. Mandei-lhe uma sms curta "Desculpa, sabes que não queria vir, mas teve de ser. Jokas"....Segundos depois recebi a resposta. "Tenho saudades tuas"...Dirigi-me à janela para a fechar e olhei para a casa da avó do Zé. Já as luzes estavam apagadas, pelo menos quase todas. Ainda sobrava uma. Se calhar era a  do quarto dele. 
Fechei a prussiana, e deitei-me, poucos segundos depois estava entregue a um sono profundo sem sonhos