sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Era só mais um dia


As lágrimas ainda corriam como tanta vez aconteceu, ela já sentia isso tão naturalmente como se fizesse parte dela, as lágrimas, a dor, o buraco no peito. Tudo isso era dela pertencia ao mundo novo dela. Um mundo novo onde cada dia seria uma sobrevivência à vida que ela temia. Não esperava nada, apenas mais um dia, até sucumbir aquela dor que lhe despedaçava o peito em mil fragmentos. A noite traduzia essa dor na sua pureza, manifestando nela a certeza que o que iria fazer a seguir seria o melhor para ela. Pegou neles como se não os consegui-se conter mais não. Teria coragem? Não sabia ainda, mas teria de ter. Colocou-os na boca um a um como se isso retarda-se o efeito, o momento, ninguém estava ali para ver. A casa estava quase vazia, ouvia-se uma respiração lenta ao fundo, mas nada que não se consegui-se aniquilar naquele momento. Talvez de manha dessem conta, ou daqui a umas horas. E fosse muito tarde, o suficiente para tudo acabar de vez.
Engoli-os, esperava que fizesse um efeito rápido, um efeito devastador em si que a fizesse esquecer a dor.
Aos poucos, uns minutos, talvez uma meia hora, a dor, o mal estar, a tontura e tudo se apagou, e ela soube que seria o fim de vez, que aquela dor não voltaria mais a acontecer, que a dor no peito ia desaparecer para sempre. 
Era o fim de tudo  

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