Capitulo II
A verdade I
Acordei na manha seguinte com o sol a bater na janela. Apesar da prussiana fechada os raios entravam pelos buraquinhos que eu tinha deixado na noite anterior para o quarto não ficar tão escuro, reflectiam-se no espelho e batiam-me nos olhos. Pensei já serem quase umas 10 horas pela claridade, mas quando me voltei para o pequeno despertador amarelo que a minha avó me tinha dado, reparei que apenas eram 8:30.
Como sono me tinha passado, levantei-me num pulo e abri a janela. O sol quase me encadeou a vista de tão forte que estava, iria ser um dia de bastante calor. Vesti uns calções de ganga e um top simples amarelo, calcei os meus ténis da Adidas que já estavam esfarrapados e fui tomar o pequeno almoço. Quando cheguei à cozinha já a minha avó estava a preparar o pequeno almoço, sentei-me à mesa e enchi a tigela com leite morno e cereais dos meus favoritos de chocolate.
Em quanto comia perguntei à minha avó pelo irmão, pensei que ainda estivesse na cama. Ela porém disse que ele já tinha saído manha cedo.
Acabei de comer, levantei a tigela e sai para a rua. Estava um calor abrasador, parecia um inferno. Como ainda era cedo pensei dar um salto até ao lameiro a ver se a minha amiga de infância a Julia ainda lá estava com as cabras.
Em quanto desci-a o carreiro ia vendo o que tinha mudado, o que não era muito. Parecia tudo parado no tempo, o feno alto estava parado, nem uma brisa corria. Desci pelo caminho e logo de cima do calhau vi as cabras no lameiro a pastar. Algumas estavam já deitadas à sombra. Não quis chamar pela Julia para lhe pregar um susto, quando cheguei ao lameiro, varri com os olhos o espaço e vi de baixo da árvore algo vermelho, pé ante pé aproximei-me e sustive a respiração. Quando cheguei ao pé vi que não era a Julia mas o irmão o Cristiano. Não mudei o plano, aproximei-me dele e abanei-o de tal maneira que ele desatou a fugir lameiro abaixo em direcção ao ribeiro. Quase caia lá dentro de tão assustado que estava, em quanto eu me ria alto e bom som. Quando ele olhou para trás e viu que era eu voltou para a cima a correr para se vingar. Fugi dele em direcção à ponte do ribeiro mas o chibo dele colocou-se entre nós e quase nos levava atrás também. Fugimos os dois então lameiro acima para dentro da mata para subir a um pinheiro para ele não nos apanhar. Em quanto o chibo se acercava do pinheiro nós os dois sentados em ramos diferentes riamos-nos como não nos riamos à tanto tempo

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