quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Voltar atrás
Toquei-lhe mais uma vez, passei a mão tão levemente que quase nem me sentia a tocar o seu contorno, a sua aspereza de madeira. A cor tão gasta pelo tempo e pela vida, esmorecia num amarelo quase branco, ou seria melhor dizer um branco sujo. Quase nem se nota o contorno da borboleta, mas eu sei que ela lá está, ainda a bater aquelas asinhas pequenas para mim, ainda se nota as bolas escuras das asas, que antes eram azuis, agora são quase como que uma cor que não sei bem. O pó também já não deixa antever grande coisa do que está por baixo.
Tive medo de abri-la e por momentos recuei, recuei por medo do que lá estava dentro, não do que não estava há espera, mas dos sentimentos que ali escondi, dos sentimentos que quis esquecer, e que arrumei para fingir que não existiam mais.
Abri-a tão lentamente, sustive a respiração como se quisesse conter os sentimos que vinham aí tão intensos e fortes. E depois de abrir olhei, e voltei a olhar, estava tudo igual, tive medo do que afinal não senti, estava há espera de tanto e agora parecia que essa tanto tinha ficado em nada.
Sentei-me num banquinho de madeira que era do meu avô, e remexi, mexi, abri, li, olhei, toquei....
Tão perto e tão longe.
Memórias, certezas, amor, carinho, sinceridade, amizade, irmandade, companheirismo....Saudade.
Quando dei por mim estava a chorar, copiosas lágrimas que me escorriam em direcção a um coração dorido de mais para aguentar tanta saudade e sentimento.
Não devia ter voltado a mexer, mas afinal porque tenho eu de insistir em lá voltar?!
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Perfeito. *.*
ResponderEliminarAcontece-me o mesmo cada vez que olho para um antigo diário. xD