Capitulo II
O reencontro IV
Cheguei a casa a transpirar, parecia que tinha vindo a correr uma maratona ou algo parecido. A minha avó, querida como sempre perguntou-me o que se passava para eu ter vindo a correr. Eu lá respondi entre dentes que tinha vindo depressa e que o garrafão estava pesado.
Pousei o garrafão em cima da bancada e fui buscar a garrafa, em quanto enxaguava a garrafa para colocar lá dentro a água da fonte perguntei pelo meu irmão. Desde que tinha chegado que não o tinha mais visto. A minha avó disse que ele tinha enchido a bicicleta e desaparecido. Provavelmente teria ido ter com o meu tio ao estábulo das vacas para dizer que já tinha chegado.
Em quanto metia a mesa o meu irmão chegou a arquejar, vinha cansado de tanto pedalar. Perguntei por onde ele tinha andado, que ele devia estar a ajudar em vez de passear. Ele ignorando o meu reparo virou-se para a minha avó e disse de uma só tirada "O Zé está cá, vou com ele buscar o leite, queres que traga para nós?" Bolas pensei eu, o meu irmão já andava colado a ele. Que mal tinha eu feito para merecer isto.
O meu tio era quem tinha o maior estábulo de vacas e ele "fornecia" o leite à aldeia, e quando lá estávamos também a nós. No final de cada mês as pessoas davam-lhe uma quantia razoável pelo leite que consumiam. O meu irmão voltou a sair a correr, pegou na bicicleta e desandou. Eu olhei para o relógio, meia hora mais coisa menos coisa e o leite teria de ser entregue no depósito do leite. À imenso tempo que não entrava lá. Adorava o cheiro do depósito, ver a "balança" a contabilizar o leite dado pelo meu tio e o outro ordenhador da aldeia o senhor Artur.
Fui para cima fazer as camas e arrumar as camas para todos. Em quanto fazia as camas ouvi o meu irmão a gritar para trazer a cafeteira para o leite. Lá eu desci as escadas a correr novamente com medo que a minha avó não tivesse ouvido o meu irmão. Saltava de dois em dois degraus e no ultimo aconteceu o inevitável, coloquei mal o pé, e senti ele a inclinar-se, em quanto me agarrava à primeira coisa que tinha à frente o ar...Cai desamparada no patim, onde ouvi risinhos. O meu irmão claro disse logo que era mesmo desastrada, que não sabia ter cuidado, miudinho insuportável que passava metade da vida com feridas nos joelhos. Lá me levantei à pressa e encarei novamente aquele olhar. Parecia que a situação se tinha alterado, agora era eu a envergonhada e ele o que se ria de mim.
Virei costas e fui buscar a cafeteira, estava fula se ele pensava que gozava assim comigo. Eu ia lhe mostrar que ele não tinha o direito de gozar comigo. Voltei para a rua com a cafeteira na mão e o meu irmão meteu-a no jarrão do leite para o tirar. Em quanto evitava olhar para o olhar dele, ouvi uma voz que eu não conhecia a perguntar "estás bem?" voltei-me para ver se a voz correspondia à pessoa que eu estava a pensar. Era ele, a falar comigo. O sotaque não deixava de enganar de onde ele vinha.
Acenei com a cabeça sem lhe responder directamente. Fingindo que estava tudo bem. Ele apontou para o meu joelho e vi uma fio vermelho escuro a escorrer-me pela perna. Disse-lhe que estava tudo bem, que não se preocupa-se. Aceitei a cafeteira que o meu irmão me estendia e voltei-lhe as costas. Entrei em casa e sentei-me numa cadeira, em quanto com um guardanapo limpava o sangue já um pouco seco. A minha avó olhou para a minha perna e disse "já cais-te outra vez?" eu resmunguei um sim inaudível e sentei-me para jantar.
O jantar correu normalmente sem grandes conversas. a fadiga da viagem pesava no corpo que ficava mole com o passar das horas. Depois de comer e limpar a cozinha pedi licença para me ir deitar. Despedi-me dos meus avós e subi a escada. Ainda era cedo e no horizonte notava-se ainda uma risca clara do à muito por do sol que tinha deixado. Em quanto vestia o pijama, e escovava os dentes pensei o que iria fazer no dia seguinte, ainda não tinha visto as minhas amigas e era uma altura de ir à procura delas. O meu primo também ainda não o tinha visto. Peguei num livro e fui-me sentar na varanda a ler. Estava uma noite calma onde não se ouvia nada. O céu estava estrelado, límpido, sem uma única nuvem no céu. O dia seguinte iria ser quente...Pensei eu. Depois de uma duas horas sentada a ler, levantei-me do chão e fui para dentro para dormir. Olhei para o telemóvel a ver se tinha alguma sms ou chamada. Nem um sinal de vida do Sérgio, ainda estava chateado comigo por ter ido para cima. Mandei-lhe uma sms curta "Desculpa, sabes que não queria vir, mas teve de ser. Jokas"....Segundos depois recebi a resposta. "Tenho saudades tuas"...Dirigi-me à janela para a fechar e olhei para a casa da avó do Zé. Já as luzes estavam apagadas, pelo menos quase todas. Ainda sobrava uma. Se calhar era a do quarto dele.
Fechei a prussiana, e deitei-me, poucos segundos depois estava entregue a um sono profundo sem sonhos

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