segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A partida II

A partida II


Depois de colocar as malas novamente no porta bagagens da outra camioneta entrei para o primeiro andar. Era uma daquelas camionetas que tem aqueles lugares há frente colados ao vidro e alguns lugares em baixo. Como estava vazia e os lugares eram há nossa escolha eu fui para cima e sentei-me num desses com o meu irmão. Voltei a colocar os fones nos ouvidos e lá partimos passados 10 minutos rumo à nossa vilazinha. 
O segundo caminho desta vez foi mais atribulado. A camioneta parava em todas as terrinhas, tivemos uma avaria e tivemos de parar numa bomba de gasolina e esperar cerca de meia hora que fosse arranjada. Quando chegamos há vila já estava tarde e ainda por cima nem táxis havia para nos levar a aldeia. Depois de uma espera de cerca de meia hora lá apareceu um táxi para nos levar em direcção a casa. 
É verdade que fazia um ano que ali não voltava e depois de sair da camioneta deu-me aquela saudade. Apesar de tudo eu gostava imenso da terra, sentia-me livre lá, uma sensação boa. Verdade que quando estava na cidade não era assim tão bom, mas agora até me senti conformada por ter ido. 
Aquele cheiro familiar, a pinheiro, misturado com terra e ovelhas. O sabor que se podia sentir era uma mistura de passado com presente. Depois de entrar-mos no táxi pude ver pela pequena estrada, cheia de curvas e buracos aquilo que eu tanto conhecia. 
Pinheiros, imensos pinheiros, tão altos que mal se via a copa. Tão grossos que eram precisas duas pessoas para abraça-lo. As gestas tão altas que na primavera de cobriam de flores amarelas e brancas e sarapitavam o verde...onde eram campos e campos de flores assim. O cheiro no ar que deixava entre a ver uma réstia de nostalgia. Quando viramos a ultima curva antes de entrar na aldeia e vi a placa a chamar pela minha terra senti-me contente interiormente. O táxi acelerou estrada a baixo a caminho do meu mundo e eu estava satisfeita e cansada. Dava tudo para poder deitar-me de papo para o ar num calhau e ficar a sentir o ar a passar-me na cara. 
Até que passamos por ele, apesar da velocidade que íamos consegui ver um vislumbre do seu olhar, foi estranho, como um ressalto no peito. Uma pancada estranha. Aquele olhar, conhecia-o? Era impossível. Calculei que não devia se quer ser dali, conhecia toda a gente na aldeia e ele não era dali. 
Só ali havia um rapaz e esse era muito mais velho que eu, irmão de uma amiga minha. E aquele rapaz aparentava ter um uns 2 ou 3 anos mais velho que eu simplesmente. 
Segui-o-se uma conversa que eu fiquei atenta: A minha avó perguntou ao taxista quem era. E ele respondeu que era neto de uma senhora da aldeia, ele estava em França e tinha vindo há dois dias atrás. 
De repente lembrei-me, não podia ser? Seria ele? Tanto tempo que não o via, talvez 3 ou 4 anos. Não sei bem. Sei que sendo assim mal o tinha reconhecido. Que estranho. Afinal parece que o conhecia. Afinal aquelas férias iam valer a pena. Depois de tanto tempo sem nos vermos, finalmente recontro-mo-nos. Eu e o meu melhor amigo....

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