quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Um brinde à tristeza
O céu estava alto nesse dia. Ouvia os risos, perfeitamente dentro de mim. Um desconforto no peito, um mau estar que me provocava o coração. "É impressão tua". Não descolava os olhos do telemóvel. Algo estava mal. "Diverte-te".
Tentei ignorar o latejar, enchi mais um copo, saudei o ano que se acabava. Dancei, saltei...Era quase meia noite. Faltavam meros minutos.
As doze passas na mão, o copo de champanhe na outra, contagem 5, 4, 3, 2, 1...."Feliz ano novo" Brindes, desejos pedidos. Tudo em ordem....
Voltamos para dentro, estava frio na rua. Cantamos, dançamos. O telemóvel toca, eram eles de certeza para desejar um bom ano. Lá já tinham festejado há uma hora atrás.
"Estou...Bom ano queridos"
"Estou Lúcia, Bom ano. Olha ele está no hospital, teve um acidente grave"
O que?
Não podia ser...Como podia. Era impossível.
O meu mundo desmoronou naquele segundo, senti-me a andar a roda, chorava sem ter dado conta. Estava gelada, por dentro. Sentia-me presa ao chão, como se as minhas pernas pesassem 100 kilos cada uma. Neguei, não podia ser. Como podia, o meu mano, o meu irmão. Porque ele?
Porque a melhor pessoa do mundo. Porque?
E ainda hoje eu pergunto
Porque?
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