quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Polaroides


Hoje preciso de respirar, preciso de sentir, preciso de encarar a realidade. Hoje olhei e não vi mais nada, só, um conjunto de imagens espalhadas pela vida. Polaróides na mente, baralhadas pelo destino, sem história, sem nexo, sem verdades ou mentiras, sem sentimentos. Só rostos, rostos sorridentes, rostos amigáveis, saudáveis. Rostos que viam um futuro, acreditavam num futuro. 
Peguei nessas fotos e juntei-as todas, num montinho, não quis tocar-lhes mais, não fazia sentido. Ali estava passado todo baralhado, todo submetido a um vento do presente que não quis que a ordem se mantivesse. 
Ordem? Que raio de ordem pergunto eu. E esta é mais uma daquelas perguntas que vai ficar sem resposta. Que ordem espero de um passado, onde as fotografias para mim são as mais importantes das recordações, para não me esquecer que afinal eu sabia sorrir. 
E juntei as fotos, metia-as numa caixinha, sem lhes mexer mais. Que importa a ordem das fotos, se o coração já não tem ordem há tanto tempo. 

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