segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

No mar


Quis traçar um caminho feito por ti, desenhar no contorno da areia uma certeza de futuro para nós, mas não arranjei areal suficiente para aquilo que tinha em mente desenhar. Quis trazer-te para o meu mar, contar-te que o céu eras tu e eu reflectidos inversamente no espelho da água. Contar ao mundo, sem as palavras certas, o que eu e tu éramos, sentir no peito uma imensidão de sentimentos, sempre que o nosso olhar cruzava o horizonte além do que éramos. 
Menti mais uma vez, neguei o evidente, não precisava de ti. Já não sentia a tua falta. E quando de costas para o mar quis apagar a nossa história, ele fez-me lembrar que a nossa história nunca foi escrita, porque era lembrada nos nosso corações, agora vazios. Veio-me trazer o doce aroma da certeza outra vez, fazer-me lembrar que por mais que eu negasse o evidente, ele estava lá sempre presente em mim. Para sempre a fazer-me recordar de ti.

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