terça-feira, 24 de maio de 2011

A casa do norte

Capitulo II


O reencontro III

Quando a avó dele voltou a falar é que voltei a mim, ali estava ele ainda, e tudo como à 30 segundos atrás, só mudou a minha maneira de ver as coisas. Apesar de tudo não tinha pena dele. Eu nem gostava dele. 
Depois de cumprimentar a avó dele desci pelo carreiro em direcção à fonte. Em quanto atravessava as ervas que quase me davam pelo joelho, ouvi as rãs que estavam a apanhar os últimos raios de sol a saltar para dentro de água. Nadavam rapidamente em direcção ao fundo do lago para se esconder. Abaixei-me junto à fonte e meti a mão na água, fresca como sempre, até arrepiava só de sentir. Em quando desenroscava a rolha e trauteando uma musica que ultimamente passava muito no rádio, e que eu ate gostava. 
O sucesso daquele Verão não para de tocar, na rádio, na televisão. Fosse onde fosse toda a gente conhecia aquela musica e toda a gente a cantava. O "Morango do Nordeste" da recente banda Canta Bahia, estava a fazer furor entre as pessoas. Enchi a garrafa com rapidez e voltei a enroscar a rolha. Levantei-me e lá caminhei carreiro acima para voltar ao caminho da escola. 
Era assim o caminho conhecido por levar à antiga Escola Primária que se encontrava prestes a fechar portas por falta de alunos. 
A escola onde andará o meu pai e o meu tio e antes disso os meus avós, encontrava-se exactamente igual diziam eles. Não mudará nada, só a pintura exterior. As mesas e cadeiras ainda eram as mesmas, os desenhos na parede ainda eram os mesmo. Tão diferente da minha escola primária e ao mesmo tempo tão mágica e antiga, dava àquela escola o que eu gostava...Lembranças.


Voltei pelo caminho acima em direcção à lameira quando o vejo um pouco mais em cima a caminhar ao lado da avó, andavam devagar por causa do passo lento da senhora e conversavam. Agora de costas poderia olhar mais pormenorizadamente para ele. Estava alto era verdade, não me lembrava dele tão alto. Mas também estava magro. Se calhar tinha crescido depressa de mais pensei eu. Era comum na idade dos rapazes. O seu cabelo estava claro com o sol a bater-lhe na lateral. 
Trazia uma t-shirt de cavas preta que lhe fazia sobressair os braços, uns braços que se notava bastante trabalhosos, ginásio talvez. Lembrava-me do irmão dele ter dito que andava num, se calhar ele também andaria. 
Dei por mim fascinada, pois não me lembrava dele assim, ou se calhar nunca teria olhado para ele assim. A ultima vez que o tinha visto eu teria talvez uns 10 anos. E naquela altura eu preocupava-me mais com o os brinquedos e com os desenhos animados do que com rapazes. Quando entrava nestes pensamentos ele voltou-se para trás e viu-me a observá-lo. Desviei o olhar como se não tivesse reparado que ele estava ali a uma meia dúzia de metros à minha frente. Afrochei o passo para eles poderem avançar para não ter de me cruzar com ele. Quando já levavam um larga vantagem de mim, eu arranquei em direcção ao caminho que me levava a casa sem mais olhar para trás. 
Ele ainda era o menor dos meus problemas

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